Luís Loures, que é também presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), é muito crítico ao aumento, em todas as instituições, de 5% das vagas para o Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. “Entendemos que o ensino superior é a melhor e a mais barata forma de fazer coesão territorial. Quando nós temos esta visão, não podemos concordar com um aumento de vagas indiscriminado em todas as instituições”, frisa.
“Nós somos o país mais desequilibrado da Europa. Tivemos no ano passado, em Lisboa e no Porto, 54% do total das vagas para o ensino superior. Este ano vamos ter 56%!. O que nós sabemos é que, se vamos olhar para as vagas, verificamos que muitos politécnicos reduziram o seu número e as universidades, a grande maioria, aumentou-o, com exceção de uma que reduziu (Algarve)”, revela Luís Loures.
No seu entender, “se não houver da parte da tutela uma sensibilidade para esta necessidade, muito dificilmente vamos conseguir reequilibrar o país. O ano em que as instituições de ensino superior, das regiões de menor pressão demográfica cresceram de forma mais significativa, foi aquele em que o ministro da altura, Manuel Heitor, decidiu reduzir 5% das vagas em Lisboa e no Porto. Nós crescemos 42%. Beja cresceu 60%. A Guarda cresceu mais de 40%: Bragança aumentou os colocados em mais 20%. E isso sim é tomar medidas de política que respondem às necessidades do país”.
Luís Loures lamenta que o atual Governo tenha uma posição diferente. “O senhor ministro e a senhora secretária de Estado têm uma visão totalmente liberal do ensino superior. E esta visão mais liberal do ensino superior, que eu não condeno, tem perigos. Perigos que passam por desinvestir no ensino superior enquanto mecanismo de coesão territorial. De nada nos vale ter um ministro para a coesão e para a economia - alguém que considero competente e preocupado -, nem um programa de governo que refere a coesão territorial ou coesão social e económica mais de 40 vezes - mais vezes do que o ensino superior – e depois as medidas que o ensino superior toma são ao arrepio da coesão. O mesmo acontece com as da saúde. Então para que é que vale a pena falar em coesão? Cada ministério faz aquilo que quer, sem estar preocupado com a coesão. Já ouvi o nosso ministro (da Educação) dizer que não é responsabilidade do ensino superior promover a coesão territorial e que se o objetivo é aumentar o número de alunos não se pode promover a coesão territorial. Isso é muito grave!”.
O presidente do Politécnico de Portalegre considera que “as medidas podem ter objetivos duplos. Nós estávamos disponíveis para aplicar uma medida para ajustar a oferta e a procura, propondo que todas as instituições reduzissem 5% das vagas. Em vez disso, fez-se o contrário, quando no ano passado tivemos menos candidatos do que vagas”.
Luís Loures afasta também a ideia de que a diminuição de vagas em Lisboa ou no Porto prejudica o Estado. “Um aluno pode entrar para o Politécnico de Portalegre, mas por questões económicas e de proximidade prefere ficar numa instituição privada em Lisboa. A questão é que o aluno paga ao Estado 697 euros e custa ao Estado cinco mil euros. O mau era a família não poder pagar e não haver nem no público nem no privado. Agora, se a família pode optar do ponto de vista financeiro e prefere ficar no privado, não vejo onde isso prejudica o Estado”.
Ainda assim recorda que o último ano foi positivo para o Politécnico de Portalegre. “Nós sabemos que no ano passado houve o maior decréscimo dos últimos anos, ao nível de alunos colocados. Houve instituições do interior, ou de áreas de menor densidade populacional, que tiveram impactos na ordem dos 40% a 50%. O Politécnico de Portalegre teve, ainda assim, o terceiro melhor resultado a nível nacional dos politécnicos. Ficámos só atrás de Lisboa e Porto” prossegue Luís Loures que realça o facto destes números terem sido conseguidos na região que tem menos alunos em condições de concorrer ao ensino superior. Para terem uma ideia, o Distrito tem cerca de 450 alunos em condições de concorrer ao ensino superior. Nós oferecemos 650 vagas”.