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Maria José Fernandes, presidente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave IPCA reforça campus e abraça região

18-03-2022

O Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) acaba de assinalar 27 anos de vida e 25 de atividades letivas. Com 6200 alunos, além do Campus em Barcelos, tem estruturas em Guimarães, onde será construída uma escola de hotelaria, e em Braga, ministrando ainda cursos em Famalicão.
Maria José Fernandes, presidente da instituição, explica ao Ensino Magazine os projetos do IPCA, como a ampliação do campus em Barcelos, num investimento de 18 milhões de euros.

O IPCA é um dos Politécnicos mais jovens. Qual a análise que faz da evolução da instituição?
Começámos a nossa atividade letiva há 25 anos. Volvido esse tempo, a análise é bastante positiva tendo em conta aquilo que o IPCA conseguiu trazer para a região. Quando avaliamos uma instituição, devemos fazê-lo tendo em conta o nosso contributo para aquilo que é o crescimento da região, das pessoas e da afirmação e consolidação da nossa atividade. Começámos a lecionar, em 1996, com 74 alunos em dois cursos de bacharelato, com a Escola Superior de Gestão, numas instalações provisórias, alugadas para o efeito.
Podemos dizer, que de uma forma muito positiva, o IPCA foi afirmando a sua presença em Barcelos, respondendo a áreas que não existiam na região. Um dos fatores de sucesso da instituição passou precisamente por termos sabido complementar aquilo que existia, pois nesta região já existem instituições de ensino superior públicas e privadas, como a Universidade do Minho, o IPVC ou o Politécnico do Porto. Estamos a falar de uma região que tem muita população. De facto, havia aqui uma lacuna naquilo que era a formação. E nessa data, tivemos um grande papel na formação de adultos, pois o IPCA era a única instituição na região que tinha ensino pós laboral. Há uns anos atrás chegámos a ter mais alunos em pós laboral do que alunos em horário regular. As pessoas que já estavam a trabalhar e tinham família quiseram voltar aos bancos da escola e nós respondemos a essas necessidades. Foi isto que fomos fazendo, primeiro com uma escola a que se juntaram as de Tecnologia, Design, Hotelaria e Turismo, de CTESP e futuramente uma escola de Desporto e Bem Estar.

Até onde é que pode crescer o número de alunos?
Eu não diria que o céu é o limite... O IPCA ultrapassou os seis mil alunos – temos 6200. No campus, em Barcelos, estudam quatro mil alunos. Nos pólos, onde temos cursos de curta duração, temos dois mil estudantes. Recentemente lançámos o concurso para o alargamento do campus em Barcelos, o qual decorre da candidatura ao PRR e que representa um investimento de 18 milhões de euros. Neste momento, em Barcelos não temos espaços para crescer, mas com este investimento isso será possível.

E como será o novo campus?
A Câmara cedeu-nos um terreno, contíguo ao atual campus. É uma quinta com 30 mil metros quadrados, onde iremos fazer a extensão do IPCA. Com este investimento, o campus ganhará uma nova centralidade, pois haverá uma nova entrada. Os serviços centrais irão ficar no topo do campus, depois teremos um laboratório colaborativo com cinco pisos dedicado à investigação e será construído um auditório com capacidade para 500 pessoas e que também servirá a comunidade. Este será um campus aberto, sem muros. Temos uma relação forte com a população, o campus funciona como parque da cidade. Iremos ainda construir uma residência de estudantes, no âmbito do PRR, para 165 camas.

A questão do alojamento é importante para a instituição?
O IPCA é a única instituição que não tem residências. Temos sobrevivido com o facto dos nossos bolseiros receberem uma verba para suportar as despesas de alojamento. Ter uma residência faz parte da nossa missão, mas não defendemos residências enormes. Isto porque estamos preocupados com a sua gestão. Com o valor que a DGES atribui aos alunos eles conseguem arranjar alojamento em Barcelos.

Os politécnicos têm contribuído para a coesão territorial. De que forma o IPCA tem prestado o seu contributo? Alargando a sua formação para outros territórios?
Nós somos politécnico do Cávado e do Ave. Temos em Barcelos três escolas. Em 2017, no tempo do professor João Carvalho, foi criada uma escola superior de hotelaria e turismo específica em Guimarães, respondendo assim aos designíos da instituição, pois no Cávado já tínhamos as outras escolas. O concurso da construção das instalações da escola está a decorrer, pelo que neste momento ela ainda está incubada em Barcelos. Há dois anos criámos uma escola específica para cursos de curta duração, em Braga. Mas como esses cursos são muito direcionados para o mercado de trabalho, também os deslocalizámos para Barcelos, Guimarães, Famalicão e em Braga, onde está sedeada a escola. E esses CTESP contribuem para a coesão territorial. Nós em Famalicão temos 600 alunos. Se não tivéssemos lá esse pólo muitos desses alunos não teriam capacidade para estudar. E esta tem sido uma das marcas distintivas dos politécnicos, servindo as populações e as regiões.

Ao nível da oferta formativa estão previstos novos cursos?
No âmbito do PRR temos que atingir alguns objetivos na formação de jovens e adultos. Nos jovens apostámos muito em cursos de áreas steam e numa estratégia de fazer com que mais mulheres abracem essas áreas. Só para lhe dar um indicador, dos 1800 estudantes dos cursos de curta duração 85% são homens. Se juntarmos o IPCA a realção é 55% - 45%. No que respeita ao Impulso Adultos temos um conjunto de pós-graduações, onde iremos implementar o conceito das microcredenciais, em que os alunos possam fazer unidades mais curtas, as quais, mais tarde, juntas darão uma determinada formação. É aquilo que chamamos formação «à la carte». São desafios muito grandes, que envolvem também o corpo docente.
Ao nível do 1º ciclo, temos uma licenciatura nova, em Design Audiovisual.

Nesses cursos de curta duração há uma relação direta com as empresas?
Muitos desses cursos são feitos com as empresas. Os planos de estudo são feitos em conjunto. Um dos cursos, em soldadura avançada, funciona mesmo nas instalações de uma empresa. Num outro que iremos submeter, os alunos apenas estarão em sala de aula dois dias por semana, o restante será numa empresa. Será uma formação inovadora em que o estágio e as aulas decorrem em simultâneo. As empresas responderam positivamente. E isso não é só aqui, mas a nível nacional.

Uma das áreas importantes para o desenvolvimento das instituições de ensino superior é a internacionalização. A que níveis isso tem sido concretizado no IPCA?
Há dois factores determinantes nas instituições: a internacionalização e a investigação. Não podemos fazer nada que não esteja enquadrado numa estratégia global. O IPCA está integrado numa Universidade Europeia, com o Politécnico de Leiria e com instituições internacionais, onde temos vindo a desenvolver um trabalho importante.Temos criado a atribuição de graus conjuntos. Os resultados são positivos. A internacionalização é uma aposta.

O laboratório de inteligência artificial é um dos exemplos do que tem sido feito no IPCA ao nível da investigação?
Sim. Este laboratório foi acreditado, há dois anos, pela FCT com Muito Bom. Tem vindo a trazer imensos projetos ao IPCA e em co-promoção com empresas. Quando falamos em inteligência artificial, teremos que falar no design, na contabilidade etc. É algo muito multidisciplinar onde não temos fronteiras.

A alteração da designação dos politécnicos para universidades de ciências aplicadas e a atribuição de doutoramentos tem sido defendida pelo CCISP. Acredita que estão criadas as condições para que isso se venha a concretizar?
Espero que nesta nova legislatura se concretizem dois aspetos urgentes, e que de resto foram alvo de uma petição de cidadãos que entrou na Assembleia da República e que será novamente submetida, a qual tem dois pedidos: a alteração da designação de politécnico para universidades e a atribuição do grau de doutoramento por parte dos politécnicos.
No caso dos doutoramentos isso faz todo o sentido, pois a atribuição do grau deve estar relacionado com a qualidade de investigação do que propriamente com a instituição em si. Se o IPCA tem centros de investigação de reconhecidos pela FCT e provas dadas, porque é que não pode atribuir o grau de doutor?
A designação das instituições também é importante. Por exemplo, nós vamos estar no Brasil em feiras, apresentamos a nossa oferta formativa e questionam-nos: o que é um instituto? Poderia ser uma universidade politécnica, pois não se desvirtua o ensino ministrado. A palavra universidade é universal no mundo inteiro. Acabamos por ser penalizados perante um mundo cada vez mais global em que o termo que vigora é o termo universidade. Acredito que isso será conseguido.

O financiamento das instituições por parte do OE tem merecido críticas dos politécnicos. Na sua perspetiva o que deveria ser alterado?
Tem que haver uma fórmula que deve ser discutida e debatida. O que existe é uma fórmula que foi aplicada a última vez em 2009. O que gostaríamos é que houvesse uma reflexão sobre o modo como se devem financiar as instituições de ensino superior, havendo justiça e equidade entre as instituições. O número de estudantes é um indicador relevante, mas depois há os custos de estrutura e aquilo que cada instituição produz. Ou seja, deveria ser uma fórmula com várias dimensões, fixas e variáveis.

No caso do IPCA o subfinanciamento é considerável?
Muito.No ano em que a fórmula foi usada pela última vez o IPCA tinha 2200 alunos, neste momento tem 6200, e estamos a ser financiados como se tivéssemos 2200.

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