Investigadores concluíram que as macroalgas marinhas podem ser “uma solução eficaz, sustentável e de baixo custo” para a remoção de corantes sintéticos da água, segundo um estudo divulgado no dia 10 de abril pela Universidade de Aveiro.
Os corantes sintéticos são um dos poluentes mais persistentes associados às indústrias têxtil, médica e química.
“A libertação destes compostos para os ecossistemas aquáticos tem vindo a intensificar a poluição da água, sendo que os sistemas convencionais de tratamento nem sempre conseguem eliminá-los de forma eficiente”, explica uma nota de imprensa.
De acordo com o investigador Bruno Henriques, os corantes sintéticos são compostos orgânicos complexos e frequentemente persistentes que reduzem a penetração da luz solar na água, comprometendo a fotossíntese.
Acresce ainda que “alguns corantes apresentam toxicidade ou ecotoxicidade, podendo acumular-se ao longo da cadeia alimentar, o que levanta preocupações indiretas para a saúde humana”.
Os investigadores avaliaram a capacidade de macroalgas Fucus, Gracilaria e Ulva para remover o azul de metileno, um corante sintético utilizado como composto modelo, em diferentes tipos de água e níveis de salinidade.
“Foram testadas algas vivas e algas secas, tendo ambas apresentado elevadas taxas de remoção, embora com desempenhos distintos consoante as condições experimentais”, descreve a nota.
Os resultados mostram que a alga viva Ulva “consegue remover até 92% do corante em seis horas, atingindo valores ainda mais elevados em água doce engarrafada”.
A biomassa seca de Fucus alcança cerca de 96% de remoção em apenas meia hora, “revelando um desempenho particularmente eficaz em ambientes mais salinos”.
“Embora a biomassa seca atue mais rapidamente, as algas vivas apresentam vantagens operacionais relevantes, como a facilidade de separação após o tratamento e a capacidade de absorção de dióxido de carbono, contribuindo para a redução das emissões” indica o estudo.
Segundo Bruno Henriques, a aplicação dessa tecnologia à escala industrial deverá privilegiar o cultivo controlado de macroalgas, em detrimento da recolha direta no meio natural, “evitando desequilíbrios ecológicos”.
A aquacultura de macroalgas é já uma prática estabelecida em Portugal e noutros países.
No contexto do tratamento de águas residuais, essas algas poderão também ser cultivadas em sistemas controlados ou integradas em infraestruturas existentes, recorrendo tanto a biomassa viva como a biomassa residual de outras atividades industriais.
O estudo é assinado por Sofia Grangeia, Thiago Silva, Eduarda Pereira e Bruno Henriques, do Departamento de Química e do Laboratório Associado para a Química Verde da Universidade de Aveiro (LQV-REQUIMTE).
Os investigadores concluem que o estudo, baseado num corante sintético modelo, “constitui um primeiro passo para o desenvolvimento de soluções aplicáveis a efluentes reais, frequentemente mais complexos”.
“As macroalgas afirmam-se como uma alternativa promissora, sustentável e economicamente viável às tecnologias convencionais de tratamento de águas residuais, contribuindo para a proteção dos ecossistemas aquáticos e para uma gestão mais responsável dos recursos hídricos”, observa a equipa de investigação.