A Universidade do Porto (U.Porto) admitiu cinco candidaturas para o cargo de reitor para o mandato 2026-2030. Depois da Comissão Eleitoral da U.Porto ter recebido 14 candidaturas para o cargo de reitor - três nacionais e 11 internacionais -, e após a Comissão Eleitoral ter analisado cada uma delas, foram agora conhecidas as cinco candidaturas admitidas definitivamente: Salvatore Cuzzocrea, Lasisi Salami Lawal, Altamiro Costa Pereira, Pedro Nuno Teixeira e Luís Filipe Antunes, avançou fonte oficial.
Fonte da universidade disse à Lusa que, da reunião da Comissão Eleitoral da U.Porto, os candidatos anunciados por ordem de receção são Salvatore Cuzzocrea, italiano, antigo reitor da Universidade de Messina (2018-2023), presidente do Conselho de Reitores italiano (2023), Lasisi Salami Lawal, nigeriano, professor e investigador na Universidade Federal de Tecnologia de Minna, no Botsuana, Altamiro Costa Pereira, atual diretor Faculdade de Medicina da U.Porto, Pedro Nuno Teixeira, ex-secretário de Estado do Ensino Superior (2022 a 2024), antigo vice-reitor da U.Porto e antigo diretor do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, e Luís Antunes, diretor do Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade da U.Porto.
Na carta de candidatura, Salvatore Cuzzocrea diz que tomou a decisão “após meses de reflexão” e na sequência do término do seu mandato como reitor da Universidade de Messina e de presidente da Conferência dos Reitores das Universidades Italianas.
Salvatore defende o reforço do papel da U.Porto como “Universidade de investigação” para se tornar “cada vez mais um centro de conhecimento internacional”, defendendo “uma gestão sólida dos recursos” e a promoção de um “ambiente de trabalho positivo”.
O candidato Lasisi Salami Lawal defende para a U.Porto “excelência académica e sucesso dos estudantes”, “investigação, inovação e transferência de conhecimento”, “internacionalização e parcerias”, “envolvimento social”, “sustentabilidade institucional, governação e transformação digital”.
Propõe um programa de excelência no ensino com “desenvolvimento do corpo docente, observação entre pares e apoio à aprendizagem mista”, sendo que para os estudantes propõe uma “estratégia abrangente de retenção”, com tutoria direcionada, “bolsas de estudo ampliadas”, “serviços de saúde mental”, auditoria de acessibilidade.
Outra prioridade do candidato nigeriano é a aprendizagem ao longo da vida, com “educação contínua escalável para profissionais e ex-alunos”, bem como “cursos de curta duração concebidos em colaboração com a indústria”.
O candidato Altamiro da Costa Pereira apresenta-se pela terceira vez ao cargo de reitor da U.Porto, depois de 2002 e 2022, e afirma que volta a candidatar-se porque considera “reunir a necessária experiência acumulada ao longo de décadas de serviço académico”.
No seu programa de ação destaca-se a valorização dos recursos humanos. Defende a promoção das carreiras e a “renovação e rejuvenescimento dos quadros através da contratação de pessoal a tempo inteiro ou a tempo parcial”.
Para Altamiro, o próximo reitor deve promover a “simplificação administrativa e a flexibilização organizacional", diminuir a carga burocrática, dar maior autonomia às unidades orgânicas na gestão de recursos humanos, financeiros e académicos, bem como deve “planear e preparar um novo campus universitário na Área Metropolitana do Porto, capaz de responder às exigências de expansão científica, tecnológica e pedagógica das próximas décadas”.
O candidato Luís Antunes diz que o modelo de gestão atual da U.Porto “esgotou o seu prazo de validade”, porque opera como uma confederação de 15 unidades orgânicas isoladas, com duplicação administrativa e fragmentação de recursos".
Propõe “quatro pilares” para criar uma “nova Universidade do Porto”, com quatro agrupamentos, sendo que as unidades manteriam a sua identidade, autonomia administra e financeira e a reitoria definiria as prioridades de financiamento e alocação de recursos.
Definiu o “Agrupamento Engenharia, Ciências e Tecnologia”, com as faculdades de Engenharia e de Ciências, e o “Agrupamento Ciências da Saúde e da Vida”, com as faculdades de Medicina, Farmácia, Medicina Dentária, Ciências da Nutrição e Alimentação, Desporto, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Escola Superior de Enfermagem do Porto. Segue-se o “Agrupamento Arquitetura e Artes”, com as faculdades de Belas Artes e de Arquitetura, e o “Agrupamento Humanidades e Ciências Sociais”, com as faculdades de Letras, Psicologia e de Ciências da Educação, Direito e Economia.
O candidato Pedro Nuno Teixeira defende para a U.Porto uma “governação partilhada”, capaz de envolver “atores da comunidade académica, professores, investigadores, estudantes e quadros técnicos e operacionais”, através da auscultação e articulação entre os diversos níveis institucionais.
O ex-secretário de Estado defende que o futuro não passa pela "centralização e homogeneização das estruturas", mas antes pelas “respostas diferenciadas” com “apoios ajustados às especificidades” de cada faculdade.
“A U.Porto deve promover uma governação partilhada em que a reitoria seja uma força mobilizadora e coordenadora de toda a Universidade através de mecanismos claros de consulta, debate e acompanhamento dos processos estratégicos, científicos, pedagógicos e financeiros, valorizando de modelos horizontais que reconheçam a diversidade de escalas, práticas e saberes existentes nas várias unidades orgânicas", lê-se no programa da sua candidatura.
As audições públicas vão acontecer nos dias 23 e 24 de abril no Salão Nobre da Reitoria da U.Porto, sendo que cada candidato será ouvido individualmente.
Os membros do Conselho Geral reunir-se-ão na Sala do Conselho, na Reitoria da U.Porto, pelas 16:30, no dia 24 de abril para eleger o reitor que substituirá António Sousa Pereira.