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BOCAS DO GALINHEIRO The Blues Brothers (o dueto da corda) 22-06-2021

Um dos meus “cult movies” é decididamente “The Blues Brothers” (O Dueto da Corda, 1980), dirigido por John Landis, nome incontornável do cinema fantástico e da comédia norte americana. Saído da caneta da John Landis e Dan Aykroyd, esta comédia musical é a transposição para a tela dos personagens criados por Akroyd e John Belushi no famosíssimo programa de televisão “Sarturday Night Live”.  Uma sincera homenagem à música soul e rhythm’n’blues, que transborda nas interpretações dos dois Blues Brothers e da banda de luxo, onde pontificam músicos que integraram grupos famosos dos anos sessenta do século passado, Donald ‘Duck’ Dunn, que fez parte dos Booker T. & The M.G.’s e da banda que acompanhou o monstro sagrado da Soul, Otis Redding; Lou Marini, que integrou os Blood, Sweat & Tears; Matt Murphy, um brilhante guitarrista de blues, que acompanhou entre outros Memphis Slim e Howlin’ Wolf; Steve Cropper e Will Hall, que também passaram pelos Booker T. & The M.G.’s, para além de outros que faziam parte da Saturday Night Live Band, casos de Alan Rubin e Tom Malone. Como se não bastasse, há cameos de James Brown, o reverendo Cleophus James, num vibrante gospel com muito funk à mistura “The Old Landmark”, na Triple Rock Baptist Church, e que leva John Belushi (Joliet Jake) a “ver a luz” e a epifania de refazer a banda, depois de uns tempos na prisão; Aretha Franklin, a dona do Soul Food Café, e mulher de Matt, guitarrista da banda, num desconcertante “Think”; Jonh Lee Hooker, como músico de rua e o seu famoso tema “Boom Boom”; Ray Charles, dono da loja de instrumentos musicais onde a Blues Brothers Band se vai abastecer e onde interpretam “Shake a Tail Feather”; e Cab Calloway que interpreta o seu super êxito, “Minnie the Moocher”, na abertura do concerto da banda.
Apesar de a música ser fundamental no filme, a história e o seu desenvolvimento é todo um hino à comédia e ao humor non sense. Elwood (Dan Aykroyd), depois de ir buscar o “irmão” Joliet, vão visitar o orfanato onde cresceram e ficam a saber que vai ser vendido se não for pago o imposto em dívida. Como angariar os fundos? Simples. Através das receitas de um concerto da antiga banda que terão que refazer, tendo para tal que convencer os antigos membros, todos com ocupações várias, alguns fora do mundo da música, a se juntarem ao projecto. Depois? Bem, depois é um non stop de cenas hilariantes que culminam com a fuga final até à repartição de finanças de Chicago para entregarem os cinco mil dólares em dívida, perseguidos por centenas de carros da polícia, pelo meia de centros comerciais, por um grupo de nazis e por Carrie Fisher, namorada de Joliet, que perpetra uma séria de atentados contra o ex, para além de terem o exército à espera. Uma fita altamente subversiva, em que tudo se destrói, com infindáveis perseguições de automóveis, não só da polícia, mas até de uma banda rival, acidentes para todos os gostos, muita acção e, acima de tudo, o humor cáustico dos dois Blues Brothers, nos seus fatos pretos, camisa branca, gravata preta, óculos escuros e chapéu. Para além dos músicos referidos, há aina aparições de Steven Spielberg, John Candy, Twiggy, Frank Oz e o próprio realizador também faz o seu habitual cameo.
Seguramente um dos melhores filmes do realizador, a par de “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) e do policial “Pela Noite Dentro” (1985). Nascido em Chicago em 1950, John Landis começou a sua carreira no cinema como assistente de produção na 20th Century Fox, tendo actuado como extra e “duplo” em superproduções e westerns spaghetti na Europa. A sua estreia na realização foi com “Schlock” (1973), uma paródia aos “monster movies”, citando Frank Zappa “the cheaper they are, the better they are”, em que é também o monstro, e que, para além dos já referidos, realizou, entre outros “Os Ricos e os Pobres” (1983), que rivaliza para o top três do autor, uma comédia com Dan Aykroyd e Eddie Murphy, que voltaria a dirigir em “Um Príncipe em Nova Iorque” (1988) e “O Caça Polícias III” (1994), para além da falhada sequela “Blues Brothers 2000: O Mito Continua” (1998), com John Goodman no papel do entretanto falecido John Belushi. Como sói dizer-se, “não havia necessidade”. Mas, para além da direcção de alguns episódios de sérias televisivas como “Sonhar Acordado (1990-1996) “Masters of Horror” (2002-2003) e “Psych – Agentes Especias” (2007-2008), Landis notabilizou-se ainda como director de videoclips famosos, casos de “Thriller” e “Black or White”, ilustrando temas de Michael Jackson.
Tirando o chapéu a algumas das fitas referidas, tenho para mim que “Blues Brothers” é o filme de John Landis.

Até à próxima e bons filmes!

Luís Dinis da Rosa

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

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