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BOCAS DO GALINHEIRO Richard Donner, Superman e muitos mais

12-07-2021

Quando em 1978 “Superman – O Filme”, realizado por Richard Donner, apareceu nos écrans, nascia o primeiro blockbuster recriando para cinema heróis populares da Banda Desenhada, no caso da DC Comics, da autoria de Jerry Siegel, com desenhos de Joe Shuster, cuja primeira publicação aconteceu em 1938 na revista Action Comics #1, nos Estados Unidos. Já anteriormente tinham sido feitas adaptações incipientes de “quadradinhos” de Superman e de Batman, para referir apenas estes. O filme de Donner, que me lembro de ver no finado Cinema Império, hoje uma “igreja” evangélica brasileira, foi um êxito retumbante na altura. Com uma produção de 55 milhões de dólares, uma loucura na época, arrecadou mais de 300 milhões. Foi tudo à grande. Os produtores Alexander e Ilya Salkind e Pierre Spengler não olharam a meios e contrataram um elenco de luxo, de Marlon Brando, que recebeu o cachet mais alto até à altura, tornando-se então o actor mais bem pago e Susannah York, passando por Gene Hackman, Glenn Ford, Maria Schell, Trevor Howard, Terence Stamp entre outros e no papel do Super-homem/Clark Kent, o estreante Christopher Reeve, até então mais activo no palco e na televisão que na tela, com Margot Kidder como Lois Lane, jornalista e colega de Clark Kent. Com guião de Mario Puzo, autor a novela “O Padrinho”, de que foi adaptada a saga dirigida por Francis Ford Coppola, o argumento viria a ser acabado por Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman e Robert Benton, tendo ainda participado Tom Mankiewicz, por vontade de Donner. Para o ramalhete ficar completo, os efeitos especiais a cargo de uma vasta equipa, até então pouco se fizera de tão arrojado e que lhe valeu o Óscar (se compararmos com o que se faz hoje, não há comparação possível!) e a música do multi oscarizado John Williams, nomeado também por esta banda sonora, mas que nesse ano não ganhou
Recentemente desaparecido, no passado dia 5 de Julho, Richard Donner, depois de um falhado início como actor e de uns tempos com o documentarista George Blake, já em Los Angeles, nasceu em Nova Iorque a 24 de Abril de 1930, inicia-se na realização para televisão, em séries famosas como “Wanted: Dead or Alive”, com Steve McQueen, no protagonista, “Perry Mason”, “Route 66”, “O Fugitivo”, “O Homem da U.N.C.L.E.”, “Get Smart”, “The Six Million Dollar Man”, “Kojak” que celebrizou Telly Savalas, “The Streets of San Francisco”, bem como “The Twilight Zone”.
No cinema o seu primeiro grande êxito será na fita de terror “The Omen” (O Génio do Mal, 1976), a que não será alheia a sua experiência em “The Twilight Zone”, uma película na linha de outras à volta de crianças diabólicas muirto em voga nos anos 60 e 70 do século passado, com Gregory Peck, Lee Remick e o jovem Harvey Stephens nos principais papéis. Jerry Goldsmith ganhou o Óscar para a melhor banda sonora original. Depois do já falado “Superman – O Filme”, ainda iniciou as filmagens da segunda entrega, “Superman nº 2 – A Aventura continua”, de 1980, mas foi despedido pelos Salkind, tendo o filme sido terminado por Richard Lester, que dirigirá o terceiro filme, seguem-se uma série de grandes êxitos, todos na linha de um cinema à moda dos antigos artesãos do Studio System de Hollywood, sempre com grande honestidade e eficácia, de que podemos lembrar “A Mulher Falcão” de 1985, com Matthew Broderick, Michelle Pfeiffer e Rutger Hauer nos principais papéis, uma fantasia medieval sobre uma história de amor impossível que o finório ladrão interpretado por Broderick que resolver, bem como a saga “Arma Mortífera”, com Danny Glover, o metódico e certinho, e Mel Gibson, como se costuma dizer, passado dos carretos, um policial, com muita acção e humor à mistura, a mitificação do companheirismo das duplas de polícias e que rapidamente se tornou um caso sério de bilheteira que deu origem a mais três filmes. Nos filmes seguintes a presença de Joe Pesci, como Leo Getz, um vigarista que supostamente irá testemunhar e tem que ser protegido, vem aumentar a componente humorística dos filmes, a que se juntará depois Rene Russo, como Lorna Cole, uma agente dos Serviços Internos, que investigam comportamentos menos próprios dos colegas, e por quem Martin Riggs, o personagem de Mel Gibbs se apaixona. Cherchez la femme! Mas já antes se havia destacado com “Os Goonies” (1985), com história de Steven Spielberg e argumento de Chris Columbus, sobre um grupo de amigos que encontram um mapa antigo e vão à procura de um tesouro num mundo de fantasia, nascido da imaginação de Spielberg, com os jovens Sean Astin e Josh Brolin.
Saíram também da direcção de Donner outros êxitos de bilheteira como “Maverick” (1994) e “Teoria da Conspiração” (1997), ambos com Mel Gibson, bem acompanhado no primeiro por Jodie Foster e James Garner, entre outros, e no segundo por Julia Roberts, “Assassinos” (1995), com Sylvester Stalone, Antonio Banderas e Julianne Moore e “16 Blocks” (2005), outro policial, com Bruce Willis.
Um competente realizador que soube estar à altura da sua época e que de forma inteligente soube fazer brilhar os actores que dirigiu

Até à próxima e bons filmes!

Luís Dinis da Rosa

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

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