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Cândida Malça, presidente do Politécnico de Coimbra IPC mais competitivo para dar resposta ao mercado

26-01-2026

Cândida Malça assumiu a presidência do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) no dia 16 de julho de 2025. Nesta primeira entrevista ao Ensino Magazine aponta caminhos para o futuro da instituição, reafirma o objetivo de criar um Conselho Estratégico (após revisão estatutária que resultará da implementação do novo RJIES) e anuncia a constituição de um serviço de apoio à elaboração de candidaturas de projetos de investigação e à captação de investimento.
Defensora de uma maior ligação à comunidade, às autarquias e às empresas, Cândida Malça assegura que, para ser competitivo, o IPC tem de formar diplomados que possam dar resposta às necessidades do mercado, o que inclui a formação e requalificação de recursos humanos já no mercado de trabalho.

Na sua tomada de posse, anunciou o reforço da ligação às autarquias, às empresas e à comunidade. Que caminho já foi feito nestes primeiros meses de mandato?
Encetámos conversações com várias câmaras municipais, não apenas para encontrar parcerias sob o ponto de vista da oferta formativa, mas também para consórcios de projetos de investigação e de prestação de serviços à comunidade. É um trabalho que agora está a ser consolidado.

A formação ao longo da vida é também um objetivo. Essa aposta passará pela criação de um Conselho Estratégico na instituição?
Sim. Os Estatutos do Politécnico de Coimbra (IPC) não preveem a existência de um Conselho Estratégico para o território. Por isso, estamos a aguardar as alterações ao Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior para procedermos à alteração dos nossos Estatutos. Nessas alterações, teremos de prever a existência de um Conselho Estratégico, que terá como missão uma ligação mais próxima com o território. Iremos convidar Presidentes de Câmara, Comunidades Intermunicipais, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e outras entidades da região, para conseguirmos auscultar quais são as necessidades de formação do nosso território e podermos dar-lhes resposta.

Associada à questão da formação ao longo da vida, surge uma outra que está relacionada com a procura de novos públicos para o Politécnico. Estamos a falar de cidadãos nacionais ou estrangeiros?
De ambos, sendo certo que temos muito que fazer dentro de portas. Há muita formação que é preciso concretizar junto de pessoas que já estão no mercado de trabalho e que precisam de atualizar os seus conhecimentos. Daí a importância da constituição do Conselho Estratégico.
No que respeita à vertente internacional, a nossa aposta incidirá sobre a comunidade ligada à investigação, nomeadamente a colegas investigadores que venham a ‘residir’ no nosso Politécnico. Isso permitirá encetar novos projetos ou desenvolver outros que já tenham sido iniciados. Temos um espaço físico que está preparado para receber professores e investigadores, para que aqui desenvolvam os seus projetos.

Na sua perspetiva o IPC deve renovar a sua Visão e a sua Missão. Em que domínios isso vai ser feito e de que modo?
Temos de renovar os planos curriculares. Os nossos cursos têm de formar os diplomados que o mercado precisa. Precisamos de atualizar os conteúdos das unidades curriculares para respondermos de forma eficaz àquilo que são as necessidades do mercado. Essa mudança envolve os professores, numa tarefa que não será fácil, mas que é necessária. Se quisermos ser competitivos, o nosso sucesso passará pela forma como melhor servirmos o mercado. Precisamos de formar diplomados que sirvam as empresas e as instituições. Só dessa forma conseguiremos ser competitivos e ser a primeira escolha dos estudantes quando entram no ensino superior.

Uma das áreas fulcrais das instituições de ensino superior é a investigação. No Politécnico de Coimbra em que vetores pode ela ser desenvolvida?
Temos três linhas de investigação distintas, mas que coabitam entre si. Refiro-me aos projetos científicos propriamente ditos; aos que decorrem da nossa internacionalização; e, finalmente, aos que se desenvolvem em estreita ligação com o nosso território, onde temos parceiros como a Comunidade Intermunicipal de Coimbra e a CCDRC.
Nesta perspetiva, reforçámos o orçamento da nossa Unidade de Investigação com o objetivo de alavancar um serviço que nos possa ajudar a captar mais linhas de financiamento, a preparar candidaturas e, numa primeira fase, auxiliar a execução física dos projetos. Este serviço é fundamental, pois retira a carga burocrática aos professores e aos investigadores. Para além disso, alocámos um designer à Unidade de Investigação, para responder às necessidades dos centros de investigação nos domínios da comunicação e divulgação de resultados dos projetos e das parcerias existentes. Simultaneamente, e a título de exemplo, estamos a implementar procedimentos e ferramentas computacionais que, de forma automática, tratarão os processos de contratação de bens e serviços, bem como o processamento dos boletins itinerários. No fundo, estamos a trabalhar para dotarmos os nossos serviços da eficácia e eficiência que precisam de ter, para que o Politécnico, enquanto instituição, possa crescer naquilo que é a sua missão ao nível da oferta formativa, investigação, inovação, transferência de conhecimento e, obviamente, na prestação de serviços à comunidade.

O sistema científico nacional está a ser alterado com a criação de uma nova Agência, que juntou a FCT e a ANI. O que lhe parece esta aposta do Governo?
Estou expectante. Algumas das responsabilidades da FCT transitam para as instituições, e.g., a gestão das bolsas de investigação. Mas espero que, com a nova agência, resulte o acesso a mais oportunidades de investimento e que possamos reforçar a nossa investigação.

A revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) baixou ao Parlamento. Como avalia este processo?
Se é para termos um novo RJIES, ele que venha logo! Este impasse não é saudável para a vida das instituições. Estamos a perder tempo! Da sua aprovação decorrem um sem número de alterações, e.g., os estatutos das IES e o Estatuto da Carreira, determinantes para a gestão das instituições. Quanto mais depressa for aprovada a revisão, mais depressa as instituições se adaptarão ao novo regime jurídico.

A vertente cultural é outra das suas apostas. O que está a ser feito nessa área?
Do ponto de vista de infraestruturas, temos dois edifícios magníficos junto ao edifício da Presidência, com valor cultural indiscutível. Esses espaços vão, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ser intervencionados e irão receber parte do que será o nosso Centro Cultural. Isto porque o Centro está atualmente a funcionar nas instalações do Penedo da Saudade, que não permitem que as obras de arte das diferentes exposições sejam admiradas com a dignidade e a nobreza que merecem.

Como é coabitar na cidade com a Universidade de Coimbra?
Somos “bons vizinhos”. Tenho a certeza de que nos compreenderemos e ajudaremos nas adversidades e colaboraremos em prol do desenvolvimento da cidade, da região e do País.

 

CARA DA NOTÍCIA

Cândida Malça é presidente Presidente do Politécnico de Coimbra desde 16 de julho de 2025. Doutorada em Engenharia Mecânica (Sistemas de Corpos Múltiplos) pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, tendo obtido o grau de Mestre em Engenharia Mecânica (Engenharia de Superfícies) e Licenciatura em Engenharia Mecânica (Ramo de Produção) pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Em março de 2025, perfez 28 anos completos de serviço no Ensino Superior. É Professora Coordenadora no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) onde leciona várias unidades curriculares aos cursos de licenciatura e mestrado em Engenharia Mecânica, Engenharia Eletromecânica e Engenharia e Gestão Industrial. Desempenhou funções aos mais diversos níveis de responsabilidade, desde Diretora de Curso, Presidente de Departamento, Presidente do Conselho Pedagógico e Presidente do Conselho no ISEC, bem como Provedora do Estudante e Vice-Presidente do IPC. As suas atividades de investigação incluem a participação em numerosos projetos de investigação científica e de desenvolvimento tecnológico, com enfoque na transferência de conhecimento e inovação em parceria com o tecido empresarial. É autora e coautora de várias publicações científicas nacionais e internacionais. Interveio, sob diversos formatos, nas comunidades científicas e/ou profissionais a que pertence, e.g. através da integração em comissões organizadoras e científicas, revisão, moderação e apresentação em eventos científicos e edição de livros pedagógico-científicos. Obteve vários prémios e patentes nacionais e internacionais envolvendo os seus estudantes. Estabeleceu várias redes de colaboração entre diversas instituições e o IPC.

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