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Politécnico Sessão “Tratar o Cancro por tu” com casa cheia em Setúbal

20-03-2025

Especialistas em medicina e nutrição alertam para a necessidade urgente de uma mudança de paradigma alimentar em Portugal, nomeadamente no que diz respeito ao consumo de álcool e de carnes processadas, os populares enchidos, considerados pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneos diretos, com associação a vários tipos de cancro. O alerta foi lançado no Politécnico de Setúbal, a 7 de março, durante a iniciativa nacional “Tratar o Cancro por tu”.

A sessão, organizada pelo Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), juntou à mesa de conversa Catarina Fidalgo, médica especialista em Gastrenterologia e Hepatologia, e Pedro Graça, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, tendo como anfitriões Manuel Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup, e Fátima Carneiro, ambos patologistas de renome mundial.

Contando com mais de uma centena de participantes, a sessão de literacia sobre cancro debruçou-se sobre a temática “Cancro, alimentação e nutrição: mitos e realidades”, chamando a atenção para hábitos alimentares normalizados e que, segundo a evidência científica mais recente, têm correlação direta com vários tipos de doenças oncológicas.

“À cabeça podemos falar logo no elefante na sala, que é o álcool, uma substância muito bem aceite socialmente, que não tem o estigma de outras substâncias nocivas e que, ainda por cima, no espaço mediático e publicitário, é frequentemente associada ao desporto”, referiu Catarina Fidalgo.

“No caso do álcool, quando falamos em cancro, não há risco mínimo: consumir zero é bom, consumir um bocadinho já é mau, consumir muito é muito mau”, acrescentou Pedro Graça, apontando para o “problema de saúde pública” decorrente deste consumo, num país que é produtor de vinho e que o tem frequentemente “disponível nos supermercados a preços muito acessíveis”.

Ambos os especialistas defenderam a dieta mediterrânica, em que predominam fruta, hortícolas e leguminosas sobre a proteína animal, como “fator de proteção de muitas doenças, incluindo o cancro”. E, lembrando a importância do fator prazer, quando se fala em gastronomia e convívio, recomendaram contenção e uma maior aproximação ao estilo de vida dos antepassados.

“Portugal tem uma larguíssima tradição mediterrânica, que se caracteriza pela escassez de proteína. Os nossos cozidos nunca tiveram muita carne, mas tinham um bocadinho de fumado para dar aroma de carne às couves e batatas enorme. Isto tem a ver com uma cultura alimentar, que era dos nossos avós, e que se perdeu nas cidades”, lembrou o nutricionista, secundado por Catarina Fidalgo, para quem o consumo de alimentos nocivos, mas saborosos, deve ser feito com “caráter de exceção, como iguarias para dias especiais, de celebração, três, quatro vezes por ano”.

Os convidados da sessão no IPS lembraram também a importância de uma mobilização coletiva para as questões da alimentação saudável, incluindo as empresas e organizações e as instituições de ensino, onde se trabalha e estuda, “para que se possa criar um ambiente em que seja fácil consumir saudável, em vez de se colocar toda a responsabilidade sobre o pobre cidadão trabalhador que, chegando tarde a casa, entre uma lasanha do supermercado e a preparação de um prato de raiz com ingredientes de qualidade, vai preferir a primeira opção”, rematou Pedro Graça.

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