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Politécnico Docente do IPCB leva empresa para a Agência Espacial Europeia

08-06-2022

A spinoff do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), Allbesmart, fundada no Centro de Empresas Inovadoras da cidade albicastrense, integra o consórcio internacional que vai trabalhar para a Agência Espacial Europeia (ESA) no desenvolvimento de tecnologia de comunicações 5G para satélites de baixa altitude (LEO - Low Earth Orbit).

Paulo Marques, fundador da empresa, e docente na Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco, diz “que com este projeto, a Allbesmart entra para o clube restrito das empresas que fornecem tecnologia para a ESA”.

Aquele responsável lembra que “embora a empresa já participe em projetos de Investigação (I&D) europeus no âmbito do programa Horizonte2020, a participação em projetos da Agência Espacial Europeia é mais um contributo para a credibilidade da capacidade técnica e científica”.

O projeto com a Agência Espacial Europeia é um dos mais importantes para a jovem empresa. Paulo Marques fala do trabalho que a Allbesmart tem feito nesta área. “Temos dado o nosso contributo, de forma regular, para o projeto OpenAirInterface que desenvolve a versão em ‘código aberto’ do protocolo 5G. Com isso conseguimos uma visibilidade internacional que foi determinante para o convite”.

O também docente do IPCB reforça a capacidade da Allbesmart. “Ao longo dos últimos sete anos construímos uma equipa de elite. Somos muito seletivos no recrutamento e procuramos reconhecer o talento”, diz.

Para o desenvolvimento do projeto para a Agência Espacial Europeia (ESA), a Allbesmart “vai trabalhar com o centro de investigação alemão Fraunhofer no desenvolvimento do software que gere a transferência da ligação de dados entre satélites (‘handover’)”.

Paulo Marques explica que “o 5G está agora a dar os primeiros passos com implementações limitadas aos centros das cidades. Mas a segunda fase do 5G engloba uma versão satélite de que ainda se fala pouco e que terá um impacto importante nas zonas rurais”.

Por isso, o projeto 5G-LEO da ESA de que a Allbesmart faz parte “é um contributo para fazer chegar o 5G às áreas de fraca cobertura móvel e onde a cobertura com estações base (antenas) não é economicamente viável”. 

Paulo Marques explica, de forma simples, aquilo que os códigos terão que concretizar. “Os sistemas 5G satélite vão operar numa órbita a 600 km de altitude e cada satélite só estará visível durante sete minutos. Isso fará com que o equipamento do utilizador em terra tenha, muito provavelmente, que mudar de satélite durante uma chamada (designado processo de handover)”. O que se pretende é que os utilizadores não percam a chamada nem tenham uma ligação com interferências sempre que os seus equipamentos tenham que mudar de satélite.

E é aqui que entra a empresa albicastrense. “O contributo da Allbesmart no projeto 5G-LEO será ao nível da implementação do protocolo de comunicação 5G que garante a continuidade da ligação entre satélites. O código vai ser desenvolvido pela Allbesmart e testado no laboratório da Fraunhofer  IIS na Alemanha antes de se fazerem testes em órbita”.

Os desafios que se colocam neste processo são muitos. Paulo Marques fala no reforço da sua equipa “numa área muito especializada e onde é difícil encontrar talento, mesmo ao nível internacional. Embora a empresa seja especialista em redes móveis 5G, o projeto da ESA aborda a versão satélite do 5G que é uma área nova e um novo desafio para a equipa da Allbesmart”.

Para além deste projeto, a Allbesmart tem tido uma forte intervenção noutras áreas. “Embora a maioria dos nossos projetos sejam internacionais, a empresa continua a manter uma pegada na região, por exemplo, ajudando os Municípios e empresas na implementação de redes WiFi e redes de fibra ótica de alto desempenho, que são fundamentais para a transformação digital da região”.

Em Castelo Branco foram vários os projetos implementados, como os sistemas de rega inteligente ou a instalação de redes WiFi em espaços públicos.

 

Trabalhar do interior para o mundo

Para Paulo Marques o interior não é um fator negativo, responde: “não é pelo facto dos nossos colaboradores viverem no interior que recebem menos do que alguém que trabalha em Lisboa com o mesmo nível de responsabilidade e qualificações. Temos conseguido manter o talento na região. A equipa de desenvolvimento do projeto para a ESA trabalha toda remotamente”.

A maioria dos engenheiros da Allbesmart vive na sua maioria em Castelo Branco ou concelhos limítrofes. “Por exemplo, o líder da equipa 5G, Luís Pereira, vive numa aldeia do concelho de Proença-a-Nova. É aí que, remotamente, desenvolve software e testa tecnologia 5G com parceiros internacionais”.

Fundada em 2015 no Centro de Empresas Inovadoras de Castelo Branco, a Allbesmart tem tido uma ligação estreita à Escola Superior de Tecnologia. Não apenas pelos seus fundadores, mas também pela equipa que foi sendo constituída. “A empresa é muito seletiva e só contrata os melhores alunos, normalmente com médias superiores a 17 valores”, justifica.

Paulo Marques adianta que “temos sido capazes de captar e reter os melhores alunos da Escola Superior de Tecnologia (EST) nas áreas das telecomunicações e informática. Temos vários ex-alunos connosco que ganharam prémios de mérito do IPCB. Os ex-alunos da EST contratados pela Allbesmart trabalham a par com equipas de engenharia dos melhores centros de investigação europeus na área das telecomunicações”.

 

 

 
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