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Politécnico Manuel Heitor: "ideia das Universidades Europeias é mais importante que nunca" 15-04-2021

O Ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, considera que a ideia das "universidades europeias é mais importante que nunca para construir o próximo passo do projeto europeu". Isso mesmo referiu na abertura da conferência internacional “Universidades Europeias: transformação pioneira na educação, investigação e inovação”, promovida pelo Politécnico de Leiria, em parceria com o Ministério, ontem, dia 14 de abril, em formato online.

A iniciativa “Universidades Europeias” propõe a criação “bottom-up” de redes de Instituições de Ensino Superior da UE. Atualmente existem 41 Universidades Europeias, com a participação de sete instituições portuguesas, onde está incluído o Politécnico de Leiria, que lidera a Regional University Network – European University (RUN-EU).

De acordo com Manuel Heitor, “a ideia das universidades europeias é mais importante que nunca para construir o próximo passo do projeto europeu, através da disponibilização de ambientes diferentes, mas também mediante o envolvimento dos estudantes na construção desse entendimento da diversidade em toda a Europa, que devemos preservar e entender”.

O Ministro recordou que “durante os últimos 20/30 anos percebemos em toda a Europa o quão importante é a mobilidade de estudantes e o intercâmbio de profissionais para a investigação e inovação, e para o desenvolvimento de programas conjuntos para ajudar a criar uma cultura europeia, e criar aquilo que entendemos ser os valores europeus, e ainda construir relações de confiança entre os jovens e o desenvolvimento das nossas regiões".

Citado em nota enviada ao Ensino Magazine pelo Politécnico de Leiria, Manuel Heitor sublinha a ideia de que “um dos elementos importantes dos valores europeus é a diversidade das diferentes regiões. E esta diversidade deve ser preservada, mas também precisa de ser criada como um dos valores desta cultura europeia. É preciso, sobretudo, entender a necessidade de diversificar e especializar as diferentes regiões, sendo as instituições e as universidades fundamentais para a construção destas relações. O Governante destacou ainda o papel do Politécnico de Leiria nesta matéria.

“Esta aliança tem-se destacado por reunir autoridades regionais e locais, instituições de ensino superior, líderes e protagonistas sociais e económicos nas regiões envolvidas. O papel das universidades europeias é particularmente importante em diversificar e facilitar a especialização da nossa economia para uma sociedade verde e digital”, acrescentou fazendo uma alusão às prioridades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

O evento, organizado sob a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), reuniu representantes de Universidades Europeias, incluindo reitores, presidentes e coordenadores, mas também estudantes, investigadores, profissionais académicos e representantes da Comissão Europeia e Estados-membros, bem como stakeholders da área económica e sociedade em geral.

Na mesma nota é explicado que o evento foi lançado pela Comissão Europeia no âmbito do Espaço Europeu 2025.

Themis Christophidou, diretora-geral para a Educação, Juventude, Desporto e Cultura da Comissão Europeia, considerou, na sua intervenção ser necessário “criar uma área da educação europeia. Alcançar esta área até 2025 significa que os estudantes, académicos e investigadores estão habilitados a estudar e trabalhar em todo o continente, e permite às instituições colaborar na Europa e além-fronteiras europeias. Se considerarmos os nossos direitos europeus de liberdade de circulação e o direito de trabalhar em qualquer zona europeia, bem como a nossa interação diária com o mercado único europeu, uma área educacional não é inatingível. No entanto, ainda há trabalho a fazer, para assegurar que existe cooperação entre as instituições de ensino de todos os membros da UE”, disse.

Para aquela responsável, "a Regional University Network vai ser uma força para a transformação do ensino superior, tendo em consideração as necessidades regionais, e abordando as disparidades regionais na educação, na investigação e na inovação. O memorando assinado entre os membros da RUN-EU e os representantes dos Governos Regionais é um verdadeiro compromisso do papel ativo que esta aliança terá na transformação social das regiões, suportada por visões a longo prazo, com uma multiplicidade de compromissos assumidos pelos diferentes parceiros. A RUN-EU vai contribuir para construir uma zona europeia para o desenvolvimento inter-regional",

Após a abertura da conferência decorreu o primeiro painel, subordinado ao tema “O potencial de transformação das Universidades Europeias”, onde Sophia Eriksson-Waterschoot, diretora da Juventude, Educação e Erasmus+ da Comissão Europeia, destacou que «as universidades europeias têm o potencial de acionar uma forte e estratégica operação entre as instituições parceiras e, ao mesmo tempo, juntar todas as suas missões: educação, investigação e inovação, e estar ao serviço da sociedade".

Sophia Eriksson-Waterschoot acrescentou que "as universidades europeias são as alianças mais ambiciosas na Europa e, possivelmente, no mundo, no que toca à confiança e entendimento entre as instituições de ensino superior, e em termos de qualidade. É por isso que podemos esperar um grande impacto e esperar uma inspiração de toda a comunidade do ensino superior. Podemos esperar que as universidades europeias liderem o caminho para um futuro com instituições de ensino superior resilientes".

O potencial das universidades europeias para "conectar instituições e trabalhar em conjunto para melhorar e desenvolver as comunidades" foi um dos pontos destacados por Màrius Martínez, vice-presidente para as Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Barcelona e presidente da ECIU - European University, que participou no primeiro painel.

Por sua vez, Daniela Trani, diretora da YUFE Alliance - Maastricht University, realçou o trabalho desenvolvido naquela universidade europeia, que se destaca «pela diversidade geográfica e pela diversidade de especialidades das várias instituições que pertencem à aliança». «As universidades precisam de trabalhar com a sociedade, algo que temos feito desde o início. Temos estado a construir o primeiro programa de educação que irá suportar os nossos estudantes, não só enquanto académicos, mas também enquanto futuros profissionais», realçou.

Palavra aos atores

O evento contou também com as intervenções de responsáveis de instituições de ensino superiores portuguesas. Rui Pedrosa, presidente do Politécnico de Leiria e coordenador da RUN-EU, lembrou que “os nossos planos vão transformar o ensino superior na Europa, pois contamos com o grande envolvimento dos nossos estudantes, que vão cocriar o futuro da RUN-EU”.

No seu entender “os estudantes vão participar ativamente não só nas várias atividades e programas da Universidade, mas também no Student Advisor Board, que contará com 15 estudantes de cada instituição, 10 estudantes europeus e cinco internacionais, que vão ter à disposição um vasto leque de atividades para estimular a multiculturalidade”.

Para Rui Pedrosa, para serem atingidos os objetivos da Universidade Europeia, é necessário “um forte envolvimento e suporte da Comissão Europeia, mas também das diferentes regiões e dos estados membros da UE”.

Já João Rocha, presidente do Politécnico do Porto e coordenador da ATHENA - European University, destacou os alcances que aquela aliança pretende atingir na educação e na sociedade. “Na educação pretendemos transformar o ensino superior, que se pretende flexível, aberto e individual na aprendizagem, promovendo uma aprendizagem ao longo da vida e proporcionando uma efetiva resposta às mudanças e necessidades do mercado laboral. Já na sociedade queremos promover sinergias na investigação e parcerias entre as instituições de ensino superior e o setor empresarial, levando os estudantes para atividades de investigação que apresentem soluções às empresas”, apontou.

A representar a EUA – European University Association esteve Anna-Lena Claeys-Kulik, que destacou a colaboração como a chave da visão da aliança para 2030. “Durante o último ano temos construído uma visão do que devem ser as universidades europeias em 2030, baseada em contribuições de mais de 100 visionários, membros das nossas instituições, e de outros setores. E esta visão não é um modelo único, pois sabemos que as instituições e as universidades de toda a Europa têm as suas diferenças. Mas esta visão é a essência das principais ideias e objetivos que estas universidades querem atingir, apesar das diferenças entre si e das diferentes circunstâncias de cada uma”, disse.

Por usa vez, Stéphane Lauwick, presidente da EURASHE – European Association of Institutions in Higher Education, destacou o papel da sua aliança para promover uma “visão futura do ensino superior, aberta e flexível, que cumpre uma missão diversificada e que reflete e responde às necessidades da sociedade”.

Para Stéphane Lauwick “as universidades europeias são uma iniciativa significativa para identificar novas abordagens e modelos para a investigação no ensino superior e para suportar as comunidades regionais e locais”.

A conferência internacional contou ainda com uma cerimónia de assinatura do Memorando de Entendimento, que consiste num acordo entre os membros da Universidade Europeia (RUN-EU), liderada pelo Politécnico de Leiria, e representantes dos Governos Regionais sobre a visão a longo prazo e a construção da EZ-ID - Zona Europeia para o Desenvolvimento Inter-regional.

A encerrar o evento esteve também o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira, que realçou a importância da conferência para "demonstrar o modo como as instituições de ensino superior conseguem estar envolvidas ativamente e estabelecer a sua ligação com a sociedade. É importante encorajar um ensino inovador e uma aprendizagem prática que valorize o projeto educacional, adaptado a um sistema de educação diferente e vasto, focado na diversificação das metodologias pedagógicas", defendeu o secretário de Estado.

 
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