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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXVIII

Opinião O espaço e a fisga

O setor aeroespacial começa a marcar pontos no nosso país. A estratégia que tem vindo a ser implementada, sobretudo a partir de 2016, com a criação da Agência Espacial Portuguesa (AEP), mudou o paradigma de como os jovens e as universidades veem a ciência e como o tecido empresarial olha para esta área como uma oportunidade de crescimento, de segurança e de avanços tecnológicos e científicos.
Uma elevada percentagem dos estudantes candidatos ao ensino superior com melhores médias de acesso têm escolhido cursos de engenharia aeroespacial. Recentemente foi lançado mais um satélite português no espaço, com ensaios efetuados no Laboratório do ISQ em Castelo Branco, no interior do país. O Espaço e aquilo que nele se pode operar constitui um desafio complexo que nos torna o nosso dia-a-dia mais simples, que garante segurança para que os aviões voem sem o perigo de chocarem uns com os outros, e que os navios naveguem, mesmo que em águas agitadas, com confiança; ou para que nós possamos ir à descoberta, com o GPS, sem nos perdermos.
Os exemplos são redutores. Recordo a expressão com que Ricardo Conde, 60 anos, presidente da Agência Espacial Portuguesa, termina a entrevista que nos concedeu para esta edição: “… quando fiz a universidade, o mais complexo que tinha à mão era uma fisga”. Hoje, confirma-se a frase batida de que as novas gerações já nasceram com tecnologia. O grande desafio é colocar os jovens a pensar, a dar resposta a problemas, criando projetos, formulando hipóteses, concretizando experiências e apresentando resultados positivos ou negativos. Com os erros também se aprende.
Apresento-vos o Osvaldo. O AstroOvo (um ovo cru) que um conjunto de 20 alunos da Escola Cidade de Castelo Branco, coordenados pelo sua professora de físico-química, lançou de uma plataforma com sete metros de altura (no ISQ - a escola e as empresas de mãos dadas). O Osvaldo aterrou em segurança e não se partiu. Como? Com um fato espacial? Sim, mais ou menos… diria que com ciência, arte e engenho, mas também com o entusiasmo próprio dos adolescentes em procurar concluir com sucesso a missão que lhes tinha sido confiada. Foi um dos AstroOvos, entre os mais de 100 candidatos de todo o país, apurados para a final no concurso nacional promovido pela Agência Espacial Europeia e pelo Ciência Viva e que foi aberto a instituições do pré-escolar à universidade.
Também vos poderia apresentar a Maria, o Diogo ou o Tiago. Estudantes do ensino básico e secundário que participaram numa das edições da iniciativa “Zero-G Portugal – Astronauta por um dia», promovida pela AEP. Um desafio que lhes permitiu contactarem com astronautas, participarem num plano de treinos dedicado a quem vai ao espaço, e voarem em gravidade zero.
Podia ainda falar-vos das equipas universitárias que anualmente participam no concurso de lançamento de “Rockets”, pequenos mísseis, projetados e concebidos pelos estudantes de diferentes áreas do saber, que terão que voar e cumprir os objetivos definidos.
Toda esta dinâmica coloca-nos, mais perto das oportunidades que o setor aeroespacial gera no mundo. Que saibamos, pois, usar esta nova “fisga” do conhecimento e atiremos com pontaria ao futuro que passará lá por cima, mas que, necessariamente, começará cá em baixo, na escola, universidade, centros de investigação, empresas ou agências dedicadas, com gente altamente qualificada. Se assim for, todos sairemos a ganhar.

João Carrega
carrega@rvj.pt