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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXV

Opinião Saúde mental no superior

Mais de 50% dos estudantes universitários portugueses piorou o seu estado de saúde psicológica durante a pandemia. Os dados, resultantes de um estudo conduzido por associações e federações académicas do país, são reforçados pela Ordem dos Psicólogos Portugueses que, com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento lançou, no passado dia 11 de abril, o programa Saúde Mental no Ensino Superior. No total são atribuídos 100 mil euros a projetos de intervenção psicológica em instituições de ensino superior.
Aquele estudo, realizado no ano passado, procurou medir o impacto da pandemia no estado da saúde mental dos estudantes universitários e revela que 38 por cento dos 4013 inquiridos referiu que foram afetados no seu desempenho académico. Além disso, 53% demonstra ter indícios de problemas do foro mental graves e 28% teve necessidade de tomar medicação.
O programa, agora lançado, revela-se, por isso, importante e está aberto a candidaturas provenientes dos Serviços de Psicologia ou de Saúde de instituições de Ensino Superior públicas. Para serem validadas devem apresentar “projetos que ajudem os estudantes, de forma preventiva, a desenvolver competências que fortaleçam a sua Saúde Mental”. No total serão contemplados três projetos, sendo que um deles será no interior do país, e todos terão que contratar, obrigatoriamente, um psicólogo.
Este é um passo importante para que todos, sem exceção, olhemos para uma questão muitas vezes escondida atrás da porta, mas que cada vez afeta mais alunos, as suas famílias e amigos. Importa que as próprias academias olhem para este problema com determinação e que, também elas, possam criar, ou reforçar, programas que consigam dar resposta aos alunos que se encontram nessa situação.
É um desafio em que todos devemos estar mobilizados. A nova ministra da Ciência e Ensino Superior, Elvira Fortunato, classifica o Programa como “uma oportunidade crucial para intervir nos casos já detetados entre os estudantes do ensino superior, mas também para travar o escalar de situações que podem ser previamente prevenidas”. Reforça a ideia da importância da saúde mental ter de começar a “refletir-se de forma mais expressiva dentro das instituições de ensino superior, desde logo através da promoção da literacia nesta área”.
Nesta matéria, também a tutela deverá reforçar as condições para que as instituições de ensino superior intervenham, de forma efetiva e com estratégias bem definidas (envolvendo os estudantes e as suas associações, criando equipas dedicadas multidisciplinares) com o objetivo de solucionar problemas existentes e prevenir outros que possam estar em incubação.
A saúde mental no ensino superior não deve ser vista como um tabu, ou como um assunto que só vem à comunicação social quando algo corre menos bem. É uma questão presente em todas as instituições, que não afeta apenas alunos, mas também professores e funcionários, pelo que a estratégia deverá acolher todos. Que este programa possa servir de farol para outros e que no terreno ninguém assobie para o lado...

João Carrega
carrega@rvj.pt