Este website utiliza cookies que facilitam a navegação, o registo e a recolha de dados estatísticos.
A informação armazenada nos cookies é utilizada exclusivamente pelo nosso website. Ao navegar com os cookies ativos consente a sua utilização.

Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXV

Opinião As provas e exames na nova normalidade

Dois anos depois de a pandemia ter mudado as nossas vidas, a escola procura adaptar-se a uma nova normalidade no seu funcionamento. Este ano letivo apenas se registaram alterações pontuais no calendário escolar, no entanto o isolamento profilático, a que docentes, alunos e funcionários foram obrigados a cumprir devido à Covid-19, faz com que as atividades letivas presenciais sejam prejudicadas.
Esta nova normalidade, de uma escola a tempo inteiro sem interrupções, mas que continua a ser intermitente fruto da pandemia, levou o Ministério da Educação a definir propostas extraordinárias relativas à avaliação das aprendizagens. Uma avaliação que será concretizada através de provas nacionais de aferição para o 2º, 5º e 8º anos de escolaridade e de exames para acesso ao ensino superior. As provas finais do 9º ano servirão, à semelhança do que acontece com as provas de aferição dos anos anteriores, para fazer um diagnóstico das aprendizagens, não tendo influência na avaliação final dos alunos.
Ao nível do secundário, os exames serão realizados apenas para efeitos de acesso ao ensino superior. Com esta posição, aprovada em Conselho de Ministros, pretende-se não prejudicar os alunos num ano escolar condicionado pela Covid-19, mas ao mesmo tempo aferir aquilo que a pandemia provocou na aprendizagem dos alunos. A questão, complexa, parece prudente e sensata, embora subjetiva, dependendo da forma como os alunos encararem as provas de aferição e finais do 9º ano. De qualquer modo, será sempre mais um instrumento para monitorizar a qualidade do sistema educativo, para que possa ser feito um melhor acompanhamento às escolas e alunos, no âmbito do Plano 21|23 Escola+.
Espera-se que, nesta nova normalidade, a escola possa sair reforçada. Que possa acolher mais professores e funcionários, que permita aos docentes exercerem a sua atividade sem burocracias nem trabalho de secretaria, e que envolva a comunidade escolar, os pais e encarregados de educação no mesmo propósito de melhorar a formação dos alunos. Mas também que os estudantes, que nos últimos dois anos viram alterados procedimentos (e os que entraram no 1º ciclo iniciaram a sua aprendizagem de uma forma diferente e mais difícil), possam voltar a ganhar os hábitos de exigência.
Mas a pandemia veio agravar uma situação que já vinha de trás, a falta de respeito pela instituição escola, pela figura do professor – e também do pessoal não docente -, como se de um lado existissem todas as obrigações e do outro todos os direitos. Este é um sentimento que prejudica todos e que merecia ser estudado. Mas esse é assunto para outro debate.

João Carrega