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Opinião “E pur si muove”

No início do ano letivo 2021/22 saúda-se o regresso de alunos e professores às aulas no ensino presencial e ao convívio estudantil, binómio decisivo para o sucesso escolar em todas as etapas da escolarização.

Deseja-se vivamente que a normalidade da vida escolar se restabeleça, mas será prudente não minimizar o conjunto de ameaças sérias que pesam sobre o horizonte próximo. Se face aos fenómenos de alterações metereológicas e climáticas, dada a sua imprevisibilidade, poucas ações concretas se poderão preconizar, para lá daquelas que relevam das advertências, explicações e contextualização dos fenómenos naturais entretanto verificados, já perante a hipótese da ocorrência de novos surtos Covid 19 poderá ser necessário voltar a encerrar estabelecimentos de ensino nas áreas geográficas afetadas.
Em Portugal, como em muitos outros países, existe uma quase unanimidade de opiniões sobre as vantagens do ensino presencial, quando comparado com o digital, embora se reconheça que este foi indispensável no decurso das fases agudas da pandemia. Enquanto o confinamento vigorou, tanto a telescola, como as diferentes tipologias de videoconferência foram a solução possível para  ministrar aulas e manter ativo o contacto com os estudantes, recursos mais valorizados quando apoiados em plataformas tipo Moodle. Tal permitiu publicar documentação complementar, recolher dúvidas e avaliar trabalhos realizados por alunos.

Concorda-se com algumas das análises negativas feitas às metodologias de ensino digital utilizadas em situação pandémica porque na maioria dos casos as soluções tecnológicas e de tratamento de conteúdos foram improvisadas para se acorrer a uma situação inédita na história do ensino em Portugal. Entretanto, o “saber de experiências feito” cedo reconheceu que modelos e sistemas digitais demonstram vantagens nas seguintes tipologias de ensino:

  1. cursos de aperfeiçoamento profissional para adultos e estudantes interessados em adquirir as competências necessárias para o desempenho de novas funções em empregos criados no curso do século XXI;
  2. cursos universitários a distância propostos por universidades e politécnicos em plataformas nacionais e internacionais, alguns oferecidos em versão multilingue;
  3. cursos gratuitos em regime MOOC - Massive Open Online Courses - que podem abrir hipóteses de prosseguir uma formação complementar presencial, ou a distância nas universidades e politécnicos que os propõem.

Uma referência fundamental é devida aos cursos presenciais mais recentes ministrados nos três graus de ensino - básico, secundário e superior - que utilizam o chamado b-learning: no essencial trata-se de programar aulas presenciais valorizando-as através da construção e utilização de bases de dados de conteúdos científicos relativos às matérias programáticas. As referidas bases de dados são percorridas por redes neurais de algoritmos que acompanham e apoiam a progressão do estudo e dos trabalhos realizados pelos estudantes que  no decurso das aulas b-learning debatem já com conhecimento de causa os temas estudados com colegas e professores.

É consensual aceitar que caducou o período de validade dos professores omniscientes que desenvolvem aulas magistrais perante a passividade e, por vezes, o desinteresse mal disfarçado dos estudantes. Hoje, o trabalho colaborativo dos docentes na construção dos saberes organizados em bases de dados é valorizado pelas discussões presenciais com discentes.

Embora  a máxima atribuída a Galileu Galilei possa ter sido sido proferida em contexto diferente o seu sentido aplica-se em múltiplos domínios e situações:

“E pur si muove”.

Carlos Correia
Professor Universitário