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Cultura Edições RVJ: Gonçalo Salvado dirige nova coleção que une poesia e vinho

03-03-2026

O poeta Gonçalo Salvado vai dirigir uma coleção de poesia intitulada Nova Lumen Poesia Pintura e Vinho, assumida pela editora albicastrense RVJ Editores, em parceria com a Adega A 23 da responsabilidade de Manuela Carmona. Trata-se de uma colecção de poesia, única no panorama editorial português, cujas obras surjem em original formato livro/garrafa numa união que pretende efectivar materialmente a relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia.

Esta nova coleção surge no seguimento do projeto que a antecedeu com o mesmo nome, dirigida igualmente por Gonçalo Salvado e editada por Ricardo Paulouro em parceria com a Quinta dos Termos, cujos livros foram na sua totalidade apresentados pela crítica de arte e poeta Maria João Fernandes que deu valioso contributo para o estudo e interpretação do tema em causa em ligação com os autores envolvidos.

 Na coleção Lumen e sempre na perspetiva da ancestral relação da poesia e do vinho foram publicados vários títulos primando sempre por grande ineditismo: Lume e Ardor – Amor e Vinho nos poetas de Lisboa 13 poetas para ler e degustar (2020); Quem Mais Vinho Que Tu – Amor e Vinho em Fernando Pessoa (2020) (Traduções para o Inglês/ Italiano/Espanhol); O Fogo Agora Verde – Poemas de Amor de Cruzeiro Seixas em celebração do seu 100 aniversário (2020); Nigra Sum – A Mulher Negra na Poesia de Amor Lusófona do século XVI ao século XXI – Antologia de Homenagem a Sulamita, do Cântico dos Cânticos, e a Bárbara Escrava, de Luís de Camões (2020); O Teu Beijo Como um Vinho – O Vinho na Poesia Amorosa Feminina de Língua Portuguesa (2020); A Taça Que Me Destinas – Amor e Vinho na Poesia de António Botto (2021); Meus Olhos Por Vós Meu Bem – Poemas de Amor – 15 poetas de Castelo Branco (2021); Um Corpo É Sempre Uma Chama – O Fogo e o Vinho na Poesia de Eugénio de Andrade – Antologia Comemorativa do Centenário do Nascimento de Eugénio de Andrade (2022); Com Vinho e Rosas – O Amor o Vinho e as Rosas na Poesia de Luís Vaz de Camões – Homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores (2022).

A referência ao vinho na poesia e na literatura ocupa um lugar previlegiado ao longo de toda a história da humanidade. Nenhuma outra bebida foi tão citada literariamente e se prestou tanto a comparações. Desde os primeiros textos conhecidos, que a literatura refere o vinho, inclusive a própria Bíblia, no seu célebre poema Cântico dos Cânticos. Este poema identifica-se como exemplo maior, visto que utiliza a figura do vinho oito vezes como metáfora. Lembre-se, também, o lugar de proeminência que o tema do vinho ocupa na poesia persa, com Rubaiyat, de Omar Khayyam, Pérsia, 1048 – 1131, ou na  árabe, onde o  vinho expressa, em simultâneo, o enamoramento e o gozo profano,  o êxtase e embriaguez mística. Já na modernidade, lembre-se o valor que atribuem ao vinho poetas marcantes como Baudelaire (França, 1821-1867) ou Neruda (Chile, 1904 –  1973) que lhe teceu uma Ode inesquecível. O vinho tem sido utilizado como metáfora amorosa por excelência ou como símbolo de iniciação e conhecimento  em culturas como a grega, a hebraica, a cristã, a chinesa ou a hindu. Como elucidou um autor brasileiro recentemente: “Como fonte imorredoura de alegria, alucinação, relaxamento e prazer, o vinho é nascente segura de poesia e arte e talvez seja a própria disposição para poetas e artistas. (…) O vinho, para muitos autores, representa vida e morte, cuja compreensão se faz tão misteriosa quanto o processo produção da bebida”.

A coleção Lumen iniciou o seu catálogo, em 2017, com a publicação do livro de poesia Rubá’iyat Poemas do Amor e do Vinho 77 Poemas para Ler e Degustar, de Gonçalo Salvado.  Trata-se da primeira antologia de poemas do autor com o tema do vinho no contexto amoroso e erótico, recorrente na obra deste poeta.  A obra que é ilustrada com desenhos do escultor José Rodrigues e prefaciada por Maria João Fernandes, representa uma homenagem ao Rubaiyat do poeta persa do séc. XI Omar Kayyam – obra cimeira da poesia que mais referencia e enaltece o vinho num contexto universal. Esta antologia de Gonçalo Salvado constituiu-se na altura como o primeiro livro/garrafa editado em Portugal.

Do mesmo autor foram ainda publicados na mesma coleção: Cântico dos Cânticos,  longo poema inspirado no célebre livro bíblico do amor, em versão bilingue (2ª edição Português/Italiano);  O Que a Primavera Faz Com As Cerejeiras – Homenagem a Carolina Gil, Bailarina Portuguesa (2020); Carmen Ad Aphroditen (Poema a Afrodite) 11 versos 11 traduções (2021); Do Teu Beijo, O Vinho – O Beijo e o Vinho na Poesia de Gonçalo Salvado – Homenagem a Consuelo Velásquez (Antologia) (2021); Ekstase (Êxtase) – A Nudez e o Vinho na Poesia de Gonçalo Salvado – Homenagem ao Primeiro Nu Feminino da História do Cinema (Antologia) (2022).

Recorde-se que Gonçalo Salvado lançou em setembro de 2025, na Adega 23, e com uma apresentação de Maria João Fernandes um novo livro de poesia sob o signo da mesma temática, que junta num só volume dois títulos: Feliciter Ardet (Arde com Felicidade) Novos Poemas do Amor e do Vinho, uma Homenagem à Arte de Amar de Ovídio, e Rubá'iyat Poemas do Amor e do Vinho 77 poemas para ler e degustar (2ª edição brochada). O primeiro título conta com desenhos do escultor Francisco Simões, recentemente falecido, tendo sido este o último livro de poesia ilustrado pelo artista.

A nova coleção que conta com a prestigiada colaboração da Adega A 23  e à qual dará forma a conhecida editora albicastrense RVJ Editores, representa a continuidade e renovação de um projeto único no panorama editorial português que pela sua originalidade e excelência  deverá representar igualmente um contributo de eleição  para a cultura portuguesa.    

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