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Cultura Luminea apresentado no Centro Cultural de Belém

24-03-2025

O novo livro de poesia de Gonçalo Salvado, “Luminea”, com capa de Álvaro Siza Vieira e com um texto introdutório de Maria João Fernandes, será apresentado, dia 27 de março, a partir das 17H00, em Lisboa, na galeria do Centro Português de Serigrafia do Centro Cultural de Belém.

Luminea (ed. RVJ Editores), reúne uma seleção de poemas de Gonçalo Salvado em versão bilingue português/braille (com a colaboração do Centro de Recursos para a Inclusão Digital da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria) retirados do livro Quando a Luz do Teu Corpo me Cega (ed. RVJ Editores), ilustrado por Álvaro Siza Vieira conta com um ensaio de abertura de Maria João Fernandes e consiste na edição especial da obra que está na sua origem.

Compõem este livro poemas com o tema da luz no contexto amoroso, recorrente na obra do autor. Ambas as edições são apoiadas pela Câmara Municipal de Proença-a-Nova.

Três serigrafias, numeradas e assinadas por Álvaro Siza Vieira, realizadas pelo Centro Português de Serigrafia a partir dos desenhos que ilustram as obras, acompanham as duas edições. As imagens para as três serigrafias, foram previamente selecionadas e escolhidas pelo seu autor.

As serigrafias serão apresentadas igualmente neste contexto.

Associado ao lançamento é inaugurada uma exposição com os desenhos originais e serigrafias de Álvaro Siza Vieira.

Luminea  pretende representar uma homenagem a Luís Vaz de Camões, referência findamental do autor,  por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, a partir do verso, retirado dos Lusíadas: “Que é grande dos amantes a cegueira”, uma das epígrafes que abre o livro Quando a Luz do Teu Corpo me Cega.

Recorde-se que o livro  Quando a Luz do Teu Corpo me Cega foi lançado a 10 de dezembro 2024, na Biblioteca Nacional de Portugal, tendo sido apresentado pelo ex-ministro da Cultura  Luís Filipe Castro Mendes e por  Maria Joao Fernandes.

Da sessão fez parte o visionamento de um depoimento  de Álvaro Siza Vieira gravado em vídeo sobre o livro e o autor.

As duas edições da obra foram primeiramente lançadas no passado da 23 de junho de 2024, na Biblioteca Municipal de Proença-a-Nova tendo sido apresentadas por Pedro Mexia e por Maria Joao Fernandes. Associado ao lançamento foi também inaugurada uma exposição com desenhos originais e serigrafias de Siza.

Sobre o livro Quando a Luz do Teu Corpo me Cega (do qual fazem parte os poemas selecionados para Lumineaescreveu  Maria João Fernandes: “verdadeira gramática, quase uma enciclopédia do amor, esta obra simultaneamente complexa e de uma simplicidade mágica, junta num mesmo sortilégio palavra e imagem e ficará como uma referência importante do nosso lirismo. Ela marca o encontro da poesia de Gonçalo Salvado já consagrado como um dos nomes mais significativos da poesia de índole amorosa e erótica em Portugal da atualidade - premiado com o Prémio da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, Sophia de Mello Breyner pelo conjunto da obra poética em  2003 e o Prémio Álvares de Azevedo pelo seu livro de poesia Denudata- com os soberbos e minimalistas e depurados, desenhos de Álvaro Siza Vieira, arquiteto artista que tem vindo a dedicar-se na sua arte a lançar os alicerces do grande edifício do Ser, de que é um obreiro de eleição. As imagens, completam a musical sinfonia das palavras. 

A poesia de Gonçalo Salvado alimenta-se dos diversos afluentes, temas dos outros livros do autor, a poesia e os textos de amor ancestrais e da grande tradição do lirismo, do Cântico dos Cânticos, de Safo, Ovídio e Omar Khayyam a Camões, Bocage, Leonardo Coimbra, Florbela Espanca, Pablo Neruda, Octavio Paz, Paul Éluard, Herberto Hélder, António Ramos Rosa e David Mourão-Ferreira, entre muitos outros.

O ritual do amor, nas infinitas variações amorosas da palavra, encontra uma soberba correspondência na eloquente depuração das linhas de Siza Vieira rumo à imaterial transcendência, ao mistério mais absoluto, a que as imagens, literária e plástica, apelam. 

Nos desenhos a extrema depuração é eficaz e eloquente. As linhas delicadamente subtis, precisas, preciosas, matisseanas, do artista e as palavras densas, enamoradas da claridade, do discurso igualmente depurado do poeta, tendem para a síntese, na infindável litania amorosa, que é uma forma de invocação, um apelo à revelação que por vezes os desenhos parecem não apenas corporizar, mas evocar, invocar.

Celebração da mulher como realidade, como metáfora e como símbolo, e do ritual amoroso a que ela dá um sentido.

Palavra e imagem desenham um mesmo corpo nas suas variações infinitas. Corpo material e imaterial, real e imaginário, do arquétipo, mais ardente do que o fogo, mais luminoso do que a luz e que traduz a sua essência última, próxima do divino. Inominável.”

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