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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXIII

Opinião Hipertexto, hipermédia e cognição 23-06-2021

As escolas do primeiro ciclo ensinam a ler e a escrever sobre o suporte papel, mas raras são aquelas que em paralelo se preocupam com o desenvolvimento da leitura e da escrita sobre meios digitais. No início da segunda década do século XXI as duas formas possuem importância idêntica, pelo que se considera urgente implementar estratégias de ensino que incentivem o acesso fluente à informação sobre suporte analógico e digital. Todavia, ainda hoje se constata que mesmo nos últimos anos das licenciaturas do ensino superior, parte significativa dos estudantes ainda não aprendeu a escrever nos formatos hipertextual, ou hipermediático.
A articulação estruturante do hipertexto e do hipermédia evidencia o sistema cognitivo subjacente às associações de ideias e conceitos nas seguintes dimensões:
a) o hipertexto constrói-se tendo como base conjuntos de segmentos textuais dotados de sentido próprio e ligados entre si por ligações dinâmicas não lineares;
b) o funcionamento do sistema tem por base a estruturação de redes de conceitos;
c) a associação entre textos, sons, imagens e vídeos cria um caleidoscópio hipermédia ao qual cada utilizador confere um significado.
Estes sistemas contêm formas de representação esquemática, uma espécie de rede de significações que homogeneiza material textual, ícones, fotos e vídeos. Nesse caso, considera-se estarmos na presença de um sistema hipermédia. A organização caleidoscópica imanente à rede semântica de conceitos é ativada por ligações dinâmicas (links), que emulam o modo como se organizam e desenvolvem os processos cognitivos.
Se ao autor compete organizar e estruturar a informação digital por forma a possibilitar um dado número de navegações interativas, é privilégio do leitor explorar essa rede em função dos objetivos da sua pesquisa.
É hoje consensual a tese de que a info-alfabetização é uma tarefa prioritária. A divisão do mundo em info-ricos e info-pobres já não reconhece as fronteiras tradicionais, é uma linha imaginária de um novo Tratado de Tordesilhas que separa regiões, cidades, bairros e até famílias. Todavia, esta nova forma de separação entre pessoas coincide ponto por ponto com o mapeamento da economia digital que floresce nas regiões do mundo onde os sistemas de Ensino e de Formação cedo se adaptaram à revolução comunicacional em curso.
Urge erradicar a info-pobreza pelo que se considera que em Portugal, como em alguns outros países europeus, as ações de formação devem abranger professores e estudantes de todos os graus do Ensino.

Carlos Correia
Professor universitário
Brasil-Escola
 
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