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Iniciativa envolve Universidades de Évora e Extremadura e Politécnicos de Portalegre e Beja Projeto internacional cria assistente pessoal digital para cuidar dos menos jovens 11-12-2020

O docente da Universidade de Évora e coordenador do pólo de Évora do Comprehensive Health Research Centre (CHRC), Manuel Lopes, está a participar num projeto internacional inovador que pretende desenvolver modelos de cuidados adequados à população idosa, que incluem a concepção de um “assistente pessoal” tecnológico para os mais idosos.
O professor explica ao Ensino Magazine a importância do projeto 4IE – Instituto Internacional de Investigação e Inovação do Envelhecimento, que envolve investigadores e instituições de Portugal e de Espanha. “A criação do 4IE foi uma ideia nossa proposta como desafio à Universidade da Extremadura, aos institutos politécnicos de Portalegre e de Beja e à Administração Regional de Saúde do Alentejo”, começa por referir.
Uma das novidades apresentadas pelo projeto diz respeito à criação de um assistente pessoal para as pessoas mais idosas. Manuel Lopes esclarece que “o assistente pessoal é apenas um dispositivo, o qual, desinserido de um modelo de cuidados, não passa de mais um dispositivo, por muito inovador que seja”.
Na prática, “o referido assistente é um dispositivo de interação por voz que relembra a pessoa das atitudes terapêuticas que precisa ir cumprindo ao longo do dia. Dizemo-lo desta forma porque pode ser programado para lembrar a toma de um determinado medicamento, a necessidade de ingerir líquidos ou de andar. Qualquer destas atividades é de natureza terapêutica”.
A diferença deste dispositivo face a outros, diz o professor, “é que foi pensado para territórios de baixa densidade onde frequentemente não existe acesso a qualquer rede. Neste contexto, o dispositivo depende de uma programação adequada à condição de saúde de cada pessoa, a qual precisa ser revista de acordo com a evolução da mesma. O dispositivo está desenvolvido e já foi testado em ambiente real, estando neste momento a decorrer os processos relativos às autorizações de uso sistemático”.
O docente sublinha que com este projeto, financiado através do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Portugal-Espanha, pretendeu-se “compreender os aspetos biomédicos, funcionais e psicológicos do envelhecimento em contextos concretos; e gerar novos modelos e processos de cuidados a idosos e soluções tecnológicas que contribuam para a saúde e qualidade de vida destes e a sustentabilidade dos serviços”.
No entender de Manuel Lopes, “estes temas têm sido tratados nestas regiões de forma isolada e sem profundidade”. Por isso, considera que “as semelhanças de contexto entre ambas as regiões e a alavancagem de competências conseguida através de um trabalho transregional coordenado, com abordagem científica e objetivos comuns e fortemente orientado para os resultados, melhorará o impacto e o potencial de disseminação internacional dos resultados, daí decorrendo efeitos relevantes e abrangentes para um desafio societal atual”.
Manuel Lopes recorda que o primeiro projeto tinha uma duração inicial de 24 meses, os quais terminariam em dezembro de 2019. “Entretanto”, diz, “porque ultrapassámos todos os objetivos a que nos propusemos, fizemos nova candidatura (4IE+) a qual foi aprovada por mais 24 meses. Este segundo projeto acrescenta alguns objetivos ao primeiro, nomeadamente, aprimorar o conhecimento sobre aspetos fundamentais como a solidão, violência, expectativas de cuidado e itinerários terapêuticos. Esse conhecimento será valorizado por meio de sua aplicação na definição de políticas públicas e no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a melhoria da qualidade de vida”.
Neste momento, refere o investigador, “estamos a meio do projeto. Contudo, todos estes projetos estão fortemente condicionados pelas contingências que decorrem da pandemia uma vez que muitos dos estudos que desenvolvemos são com pessoas idosas”.
Manuel Lopes apresenta duas reflexões sobre o trabalho realizado e a realizar. “A primeira para reconhecer que esse é um processo sempre mais lento que o desejável. Ainda mais quando algumas das conclusões dos nossos trabalhos exigem decisões políticas. Por exemplo, de acordo com alguns dos estudos que temos desenvolvidos questiona-se o modelo de institucionalização dos idosos atualmente em uso. Tal modelo não se altera por vontade de uma instituição mas sim por orientação de uma política nacional, o que dificulta o processo de mudança”. A segunda diz respeito ao facto de “por força da nossa presença em muitos desses contextos e das parcerias locais que se vão desenvolvendo, conseguem-se algumas mudanças nos procedimentos com vantagem para os idosos. Igual efeito se consegue por força das nossas intervenções públicas em contextos diversos”.
A terminar, o investigador lembra que “tendo em consideração a natureza do financiamento, todos os produtos resultantes destes projetos são para ficarem ao dispor dos serviços públicos. Tal não obsta a que possam ser passíveis de utilização empresarial e em alguns casos, existe efetivo interesse de algumas empresas nestes produtos”.

 
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