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Ricardo Nora, presidente da FADU O novo rumo do desporto universitário

14-02-2023

Ricardo Nora é o novo presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). Em entrevista, ao Ensino Magazine, respondida por email, explica os objetivos a que se propõe e desafia os estudantes universitários a praticar desporto. De caminho fala dos “Jogos Universitários de Portugal”, uma competição que a FADU gostaria de desenvolver; e aborda a questão do estatuto do estudante-atleta.

O Ricardo Nora esteve três mandatos à frente da Associação Académica da Universidade da Beira Interior. Decidiu avançar para a FADU. Quais os motivos que o levaram a avançar para este novo desafio?

A experiência enquanto presidente da AAUBI proporcionou-me uma ligação e uma aproximação ao desporto universitário e à FADU, e uma maior interação com os meus pares das diferentes Associações Académicas e de Estudantes do país. A minha integração neste meio e o facto de achar que poderia acrescentar algo à FADU foram a grande razão desta candidatura. Tenho uma equipa que procurei que fosse representativa do nosso País, uma equipa abrangente que quer chegar e levar o desporto universitário a cada ponta do continente e também às ilhas. Foi essa a principal motivação, o querer dar um bocadinho mais de mim, o querer estar à frente de uma federação com tanta história, com um grande legado, para o qual queremos contribuir e ajudar a fazer crescer.

Quais as grandes prioridades para este mandato?

A grande prioridade é ter cada vez mais estudantes-atletas a praticar desporto, ou seja, aumentar os números de participação nos campeonatos, ultrapassar os números prépandemia e alcançarmos números recorde de participação nas nossas provas. Queremos, por um lado, criar condições para que as nossas competições sejam cada vez mais regulares e queremos, por outro, incrementar a vertente do desporto informal, que na FADU denominamos de Desporto para Todos. Nesse âmbito, queremos ter um momento em que possamos reunir os estudantes que já participam nas habituais taças e torneios internos promovidos pelos nossos clubes associados e instituições de ensino superior, num momento a que queremos chamar “Jogos Universitários de Portugal” e onde estarão representados os vencedores desses torneios internos. Será um evento mais lúdico e abrangente quando comparado, por exemplo, com umas fases finais, em que a vertente competitiva está mais presente.

A frequência do ensino superior constitui um momento decisivo para a vida de milhares de jovens. De que forma o desporto pode contribuir para o sucesso nos seus percursos?

Como em tudo, o estudante tem de ser responsável. Ser estudante-atleta exige uma conciliação de horários e de escolhas. E aí reside a boa organização de cada um, essencial, para alcançarem o sucesso. O feedback que temos, pelo que experienciamos e vemos, é que de facto o estudante consegue conciliar as duas coisas. O rigor que o desporto muitas vezes nos impõe vai ajudar para a vida e, naturalmente, para o que é o percurso académico. Para os estudantes que são também atletas de alta competição, e temos bons exemplos no País, é-lhes exigido um esforço enorme para terem sucesso na escola e nas competições.

O alargamento do programa das Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE) ao ensino superior pode ser um bom instrumento para melhorar essa relação e de fazer com que mais jovens prossigam as suas carreiras académicas e desportivas?

Isto acaba por ser também uma vitória para o ensino superior. Falamos muitas vezes daquilo que é a passagem dos estudantes-atletas do ensino secundário para o ensino superior, da falta de acesso das instituições de ensino superior ao percurso desportivo do estudante. Falamos do trabalho que as instituições de ensino superior têm na procura da informação, e do potencial que muitas vezes as instituições e os clubes associados perdem por não terem acesso ao perfil do estudante-atleta. Muitas vezes há interesse em continuar o percurso desportivo e a própria instituição tem essas condições, mas não se avança por simples desconhecimento. O facto de estes programas colocarem todos os agentes – escolas, instituições de ensino superior, municípios e estudantes-atletas, a trabalhar no mesmo sentido, é uma grande mais-valia. Vamos estar atentos, e trabalhar, de alguma forma, programas e atividades específicas no âmbito deste programa, para que, de facto, as coisas tenham impacto e impactem os nossos estudantes.

O Estatuto do estudante-atleta foi uma das grandes conquistas da FADU. Que importância tem esse documento e de que forma tem sido aplicado pelas instituições de ensino superior?

Naturalmente que este estatuto foi importante para termos na lei algo que de facto balize, neste caso as instituições de ensino superior, que se exija o mínimo. O que acabou por acontecer é que muitas instituições, e bem, foram além deste estatuto, o limite mínimo foi ultrapassado e têm tido resultados positivos. No entanto, há outras tantas instituições de ensino superior que nem estes mínimos implementaram, e os estudantes têm, nestas instituições, muita dificuldade em conseguir ter acesso ao que o estatuto permite. Há aqui um caminho que tem de ser continuado, não se pode ficar apenas pelo estatuto, há uma avaliação que a própria tutela tem de fazer deste estatuto, e depois, também, deve-se procurar, de alguma forma, penalizar aquelas instituições em que este estatuto não está a ser implementado. Naquelas em que está, há que valorizar, melhorar o financiamento, para que as instituições de ensino superior comecem a perceber que há aqui um caminho que tem de ser seguido. É a própria tutela e os governantes que devem ter isto como objetivo e como uma das prioridades.

No último ano a FADU promoveu o mundial de futsal universitário, numa prova de excelência. Para este ano que eventos estão previstos?

Este ano o desporto universitário e as provas internacionais estarão em destaque no nosso País. Dos 18 campeonatos universitários europeus promovidos pela EUSA – European University Sports Association, Portugal irá receber e organizar três deles, voleibol de 16 a 23 de julho em Braga, basquetebol de 23 a 30 de julho em Aveiro e rugby 7’s de 28 a 31 de agosto em Lisboa.

O Ricardo Nora foi durante três mandatos presidente da Associação Académica da Universidade da Beira Interior. Da sua experiência enquanto dirigente associativo, que análise faz da relação entre as associações académicas e as instituições de ensino superior, no que respeita aos apoios para a prática desportiva?

Os apoios e as realidades são muito dispares. Em termos estratégicos das próprias Instituições de Ensino Superior (IES) não existe uma fórmula que todas as reitorias e presidências das IES sigam, infelizmente, a meu ver. O próprio Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) devia ser mais claro no papel das IES ao nível da promoção do desporto no seio académico. São muitos os exemplos que temos no nosso País em que o desporto universitário existe e se criam condições para que os estudantesatletas pratiquem desporto porque é feito um esforço abismal das associações académicas e de estudantes. É necessário que nos planos estratégicos das IES a promoção do desporto universitário seja um evidente pilar e um dos principais objetivos.

De que forma a participação dos estudantes no movimento associativo (académico) pode enriquecer os seus percursos e contribuir para o sucesso escolar e, no futuro, profissional?

Acredito que essa participação seja uma forma de empoderamento dos nossos estudantes-atletas e dirigentes, que potencia o crescimento pessoal e coletivo e gera oportunidades, com base na valorização do capital humano e do desenvolvimento pelo conhecimento e inovação. A FADU tem vindo a fazer um trabalho muito profícuo nesta área, de munirmos os nossos dirigentes associativos com cada vez mais ferramentas, com a criação da Academia FADU e de Líderes, com o intuito de, por um lado, melhorar as competências dos dirigentes associativos estudantis e, por outro, contribuir para a criação de uma rede nacional de dirigentes com formação para que, mesmo no futuro, depois de esses estudantes completarem a sua formação superior e deixarem as respetivas associações, possam continuar ligados ao desporto português, seja por via de clubes locais, associações, federações ou outros organismos desportivos.

Mudando de assunto, e agora enquanto ex-presidente de uma associação académica, pergunto: o alojamento (a par das dificuldades monetárias) é a grande dor de cabeça dos estudantes universitários?

Existe um grande problema ao nível do alojamento do ensino superior em Portugal que os sucessivos governos têm prometido resolver, mesmo a este nível, e nunca descorando os estudantes com mais dificuldades económicas, deveriam existir bolsas de alojamento e residências universitárias destinadas a estudantes que vivem entre um curso superior e o desporto de sonho. Neste momento está a ser estudada uma nova forma de acesso ao ensino superior.

Fala-se em quatro exames obrigatórios, que dependendo do tipo de cursos a que os alunos concorrem, poderão ser mais. Isso não afastará mais jovens do ensino superior?

É possível que afaste alguns jovens, mas acredito que este tipo de exigências ou rigor como o exame de português obrigatório possam ser um caminho para credibilizarmos ainda mais o processo de acesso ao ensino superior.

Qual a mensagem que, enquanto presidente da FADU e enquanto ex-presidente de uma associação académica, deixa aos jovens que estão neste momento a terminar o secundário e àqueles que já se encontram no ensino superior?

A minha mensagem é que abracem o desporto universitário, que experienciem, porque quem por lá passa diz que proporciona experiências incríveis, que vale a pena conciliar o percurso académico com o desportivo. A própria escolha da Instituição de Ensino Superior pode estar relacionada com as condições que a própria cria ao nível do desporto universitário. Aproveitem para participar nos campeonatos nacionais universitários, façam parte desta família que é o desporto universitário, que vos trará, além de valores desportivos, também valores sociais e morais para a vida.

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