A literacia financeira é vista como um fator de desenvolvimento e de formação para as futuras gerações. Esta é pelo menos a leitura que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) faz da importância das crianças começarem a aprender, logo no 1.º ciclo, conteúdos relacionados com o dinheiro, a poupança e a gestão. Fruto desta perspetiva, foi, este mês, apresentado o Plano Estratégico do Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF) para o período 2026-2030, o qual envolve, para além do Ministério, o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (Banco de Portugal, Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).
No mundo em que vivemos, em que o dinheiro é cada vez mais digital, em que perceção de poupança tende a ser distorcida, e onde, numa grande parte da população sobra mês depois do ordenado, a literacia financeira faz todo o sentido como forma de capacitar as futuras gerações para uma melhor gestão dos seus recursos e para a tomada de decisões mais acertadas. A aposta nas escolas, à semelhança do que foi feito com conteúdos relacionados com o meio ambiente, segurança rodoviária ou a reciclagem de resíduos, permitirá, ao mesmo tempo, que os seus pais tomem consciência da importância destas matérias.
O Plano agora lançado tem outra mais-valia. Além de professores, envolve estudantes do ensino superior que poderão vir a integrar uma bolsa de formadores, devidamente capacitados, para lecionar,“em articulação com o professor de Cidadania e Desenvolvimento, sessões de formação dirigidas a estudantes do 1.º ciclo do ensino básico ao ensino secundário”. Formações que podem criar “um efeito multiplicador que contribua para o aumento dos níveis de literacia financeira em Portugal”.
Quando se fala em articulação entre os diferentes níveis de ensino, o Plano pretende colocar no terreno um fio condutor que, promovendo a literacia financeira, junta alunos e professores do 1.º ciclo ao ensino superior. Até mesmo a formação de futuros docentes nas Escolas Superiores de Educação integrará um módulo com conteúdos de Literacia Financeira nos planos curriculares dos mestrados em Ensino. Isto permitirá que os futuros professores fiquem capacitados para abordar a educação financeira na sala de aula.
Numa outra dimensão, capacitará os docentes do ensino básico e secundário para lecionar a componente de “Literacia Financeira e Empreendedorismo, através de um conjunto de novos cursos flexíveis, organizados por ciclos de ensino e por temas, que correspondam às necessidades da prática docente dos professores atualmente em funções”.
Nesta equação, que vai muito para além do deve e do haver, o público adulto não é esquecido, através da concretização de diferentes iniciativas.
A solução encontrada pela tutela parece-me acertada e deveria ser alargada a outras áreas como a literacia para os media. Num momento em que a informação circula em excesso de velocidade, é importante que todos sejamos críticos e saibamos interpretar essa mesma informação, eliminando aquela que é tóxica, tendenciosa ou falsa, da que é verdadeira e rigorosa.
O Ensino Magazine está disponível para abraçar esse caminho com o país, na certeza que tal como na educação financeira, também na mediática e comunicacional só ficaremos esclarecidos se soubermos fazer uma gestão correta da informação que nos chega. Só assim conseguiremos pensar pela nossa cabeça e não pela dos outros...