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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXV

Primeira coluna O espaço é um mundo

25-10-2022

O Portugal Air Summit, a maior cimeira ibérica dedicada à aeronáutica e uma das mais importantes da Europa, voltou a evidenciar a importância que os setores da aeronáutica e do aeroespacial representam na atualidade quer do ponto de vista económico, com a criação de empresas de ponta, quer científico com as academias a apostarem em formações que estão a ser escolhidas pelos melhores alunos.
Neste momento Portugal tem 90 empresas e 18 mil trabalhadores naquelas indústrias. Falamos de um volume de negócios de mil e 700 milhões de euros anuais. O Plano de Recuperação e Resiliência apresenta duas agendas mobilizadoras: a primeira para a criação de uma constelação de microssatélites (entre 10 a 100 quilogramas) e outra de gestão do tráfego. Recentemente, em Santo Tirso, a Airbus inaugurou uma unidade que produz componentes para os aviões A320 e A350.
Em Ponte de Sor foi anunciada, este mês, a construção do primeiro avião português. A conceção do projeto será feita no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora, estrutura de que são parceiras a Universidade de Évora e os politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém. A sua construção será feita em Ponte de Sor. Em 2026 deverá fazer o seu primeiro voo. A possibilidade de Portugal ter uma base internacional para o lançamento de satélites pode ser uma realidade nos Açores.
Para que estes setores tenham sucesso em Portugal é necessário que a ligação entre as academias e as empresas seja efetiva. Hoje os cursos com médias de entrada mais elevados estão relacionados com esses ‘clusters’. A indústria está atenta. A Agência Espacial Portuguesa tem promovido vários programas nesse sentido. Destacaria o EuRoc, o concurso de lançamento de pequenos foguetões para alunos universitários da Europa, que decorreu este mês e que envolveu 500 estudantes de várias instituições de ensino superior europeias. “Os patrocinadores da iniciativa são atores do setor que aqui vêm buscar talentos para se juntarem às suas empresas”, justifica Marta Gonçalves, gestora de projetos da área da ciência e educação, da Agência Espacial Portuguesa.
Esta nova realidade pode constituir uma oportunidade para a instituições de ensino superior. Mas pode ser também um instrumento diferenciador para os territórios de baixa densidade e de coesão territorial.
Como no passado fomos pioneiros na navegação, agora podemos marcar a diferença em setores exigentes. Importa por isso apostar na ciência e no conhecimento, uni-las ao tecido empresarial internacional, criar condições para fixar talento e captar investimento. Se assim for estou certo que marcaremos a diferença. Afinal, o espaço é um mundo de oportunidades.

João Carrega
carrega@rvj.pt
 
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