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Vasco Palmeirim, apresentador e animador «Dou tudo o que tenho em qualquer área» 04-08-2021

É um dos rostos mais queridos dos portugueses e interrompeu, por momentos, o seu trabalho na rádio e na televisão para dar voz a “D’Artacão”, o filme que estreia, num cinema próximo de si, desde 29 de julho. Vasco Palmeirim, em exclusivo ao “Ensino Magazine”, fala do simbolismo deste projeto, revela qual é o seu lema de vida e entusiasma-se quando recorda o título recentemente conquistado pelo seu clube do coração, o Sporting.

“D’Artacão e os Três Moscãoteiros” estreou na RTP, em 1983. O Vasco nasceu quatro anos antes. Qual é a sua primeira memória da série?
Era muito miúdo na altura, só tínhamos dois canais de televisão e, evidentemente, não havia grande escolha. Mas era uma série que obrigava a seguir, ao contrário do “Bugs Bunny” ou do “Coyote”, como se fosse uma novela, porque a história continuava no episódio seguinte. E na altura não era possível rever os programas, como hoje acontece. Cantávamos o genérico de uma ponta à outra e recordo-me de simpatizar muito com a personagem principal, um canito tão pequenito, mas tão destemido e corajoso perante os mais crescidos.

Como surgiu o convite para este projeto e como se preparou para ele?
O convite surge através da NOS e da On Air, os estúdios onde gravámos e onde já fiz muitos trabalhos. A preparação não passou por ouvir o “D’Artacão” original, até porque me pediram o seguinte: «não tentes imitar o original, sê tu próprio e pensa no que esta personagem representa» - destemido, apaixonado pela sua Julieta e, de vez em quando, também se zanga e também se magoa a valer. No fundo, honra o “D’Artacão”, mas não deixes de ser tu próprio. Foi o que tentei fazer.

Emprestar a voz ao “D’Artacão” foi um sonho tornado realidade?
Não é bem um sonho, porque nunca pensei que isto pudesse acontecer, mas confesso que sempre tive um grande fascínio pelo “D’Artacão”. Lembro-me até de ter uma camisola que pedi para fazer na feira de artesanato do Estoril com um “D’Artacão” estampado. Era a minha camisola preferida.

Nuno Markl, seu colega e amigo de longa data, faz a voz do inseparável amigo do “D’Artacão”, o rato Pom. Serem amigos na vida real e no filme fez aumentar a química e melhorar o produto final?
É extraordinário. Eu e o Markl, que nos damos tão bem, na rádio e fora dela, coincidimos nesta amizade do “D’Artacão” com o “rato Pom”. Não gravámos ao mesmo tempo – o Markl gravou primeiro – mas o que é curioso é que temos muitas cenas em que dialogamos um com o outro. O que é giro é que muitas vezes respondi ao rato Pom ouvindo o que o Markl anteriormente tinha gravado.

«Um por todos e todos por um» é o lema dos famosos “Moscãoteiros”. Qual é o seu?
O meu lema de vida é o seguinte: «foi o caminho que tu quiseste, agora aguenta-te». É evidente que é cansativo e tenho muitas solicitações, mas foi o caminho que escolhi. Tenho rádio todos os dias de manhã, gravo o «Joker» e o «The Voice» à tarde, faço o festival da canção e outras coisas que aí veem. Pelo meio, tenho uma mulher e dois filhos que amo muito.

Desenvolve o seu trabalho na rádio, na televisão e agora no cinema, em dobragens. Em que área se sente mais confortável e realizado?
Para ser franco, sinto-me felizmente confortável em todas as áreas, o que é maravilhoso. Dou tudo o que tenho em qualquer área. Nunca faço nada a despachar, faço sempre pelo melhor. Felizmente os resultados têm sido ótimos em todos os projetos em que me integro.

Canta, faz humor, apresenta programas e dobra filmes. Considera-se um “entertainer”? Como é que se define quando lhe perguntam a sua profissão?
Eu costumo escrever nos documentos das Finanças que sou locutor de rádio. Felizmente, que tenho estado noutros projetos. E, de vez em quando, reparo que me chamam «comunicador» ou «animador». Talvez «comunicador» seja o termo que abranja tudo o que faço.

O curso de Comunicação Social que fez na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa serviu-lhe para alguma coisa?
Serviu para ter muitas bases e para conhecer o meio da rádio, que desconhecia. Quando era estudante só ouvia rádio para escutar os relatos de futebol – porque não havia transmissões televisivas – e para gravar as músicas que gostava. No meu gravador estava sempre a usar o botão do “REC” e da “Pausa” e estava sempre a fazer figas para que o locutor não interrompesse as músicas. Curiosamente, tantos anos depois, sou um locutor que «estraga» as canções todas, porque estou sempre a falar.

Neste ano de pandemia o clube do seu coração, o Sporting, regressou à conquista do título de campeão. Como é que viveu esse momento?
Este título foi muito sofrido. A estratégia foi nunca falar muito até ao fim para não estragar. E, afinal, acabou por resultar. Fomos campeões. Agora, ninguém para o Sporting. “Bora” lá para o bis. Mas é muito importante manter a estabilidade, coisa que naquele clube é rara. Mas creio que estamos no bom caminho.

Um estudo recentemente divulgado aponta-o como a figura pública que suscita mais empatia nos portugueses. Como explica este tão expressivo reconhecimento popular?
Dá muita responsabilidade. Sou uma pessoa que não mostra muito da sua vida privada, o que quer dizer que essa empatia é fruto de uma única coisa: o meu trabalho. Não finjo ser algo que não sou e não digo que sei coisas que não sei.

 
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