A Universidade de Évora (UÉ) faz parte do projeto europeu LIFE Alnus Taejo, de cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha, que pretende restaurar os ecossistemas ribeirinhos da bacia do Tejo. Isso mesmo é referido na página oficial da instituição universitária portuguesa.
Coordenado por Sílvia Ribeiro, investigadora principal do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) - UÉ, o projeto realizou, passado dia 27 de julho, uma intervenção para recuperar a conectividade fluvial do rio Erges, um curso de água internacional de elevado valor ecológico que marca parte da fronteira entre os dois países.
De acordo com a informação disponibilizada pela UÉ, “a intervenção prevê a remoção de dois antigos açudes desativados, situados nas proximidades da ponte romana de Segura, no concelho de Idanha-a-Nova. Estas estruturas constituem atualmente as únicas barreiras existentes ao longo de cerca de 70 quilómetros do rio Erges, entre a sua confluência com o rio Tejo e o obstáculo localizado a montante, no município espanhol de Cilleros”.
Diz a Universidade que esta intervenção permitirá reestabelecer “o fluxo natural da água e dos sedimentos, promovendo a recuperação da dinâmica fluvial e facilitando a deslocação das espécies aquáticas ao longo do rio e dos seus afluentes. Entre estas, a ictiofauna será uma das principais beneficiárias da intervenção. Segundo os investigadores da UÉ, a intervenção contribuirá ainda para melhorar o estado ecológico deste sistema fluvial e reforçar a conectividade com o rio Tejo”.
A mesma informação explica que de “entre os primeiros resultados do trabalho de monitorização já iniciado, destaca-se o registo de exemplares de verdemã-do-Alagón (Cobitis vettonica), identificados pela equipa do Serviço de Pesca da Junta de Extremadura. Trata-se de uma espécie endémica ameaçada de extinção e particularmente sensível à fragmentação dos cursos de água e à alteração do leito fluvial. A presença desta espécie reforça a importância ecológica da intervenção e a necessidade de intervir para recuperar a conectividade longitudinal do rio Erges”.
A Universidade de Évora integra o consórcio do projeto juntamente com a Universidade Politécnica de Madrid e as empresas de engenharia Ambienta e EcoSalix , colaborando no desenvolvimento das soluções técnicas e dos estudos científicos que suportam esta intervenção.
O projeto é desenvolvido em estreita articulação com diversas entidades portuguesas e espanholas responsáveis pela gestão da água, conservação da natureza e administração do território, entre as quais a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - ARH do Tejo e Oeste, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, a União de Freguesias de Zebreira e Segura, a Confederação Hidrográfica do Tejo, a Direção-Geral da Água do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha e o Serviço de Pesca da Junta da Extremadura.