Uma equipa internacional de cientistas, que inclui o investigador Ronaldo Sousa da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), publicou um artigo na revista científica Oikos focado nos riscos irreversíveis de invasões biológicas extraterrestres provocadas pela introdução descontrolada de microrganismos terrestres no espaço.
O investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) afirma que “A introdução de espécies da Terra em corpos extraterrestres (designada terraformação) é, por si, um evento de invasão e potencialmente imprevisível”, urgindo à criação de normas severas.
Ronaldo Sousa aponta o exemplo histórico da introdução de coelhos na Austrália e o recente acidente do módulo israelita Beresheet na Lua em 2019, que libertou tardígrados na superfície lunar, como evidências claras de falhas nos protocolos de segurança de missões privadas. O estudo, realizado em coautoria com Teun Everts e Phillip Haubrock, defende uma regulação célere e a cooperação entre biólogos, astrobiólogos e decisores políticos.
A ciência das invasões biológicas terrestres fornece ferramentas cruciais para monitorizar e gerir estes processos de engenharia planetária, pretendendo-se evitar que a humanidade reproduza no espaço os mesmos erros ecológicos graves cometidos no seu próprio planeta.