As universidades da Beira Interior, Madeira, Algarve, Açores e Aberta, em parceria com outras entidades de desenvolvimento e empresariais acabam de apresentar uma proposta que vê o território nacional e os seus contextos como uma vantagem competitiva para a ciência e a inovação, em Portugal e na Europa.
A proposta "Ciência, Território e Inovação para um Portugal e uma Europa mais competitivos”, foi apresentada pela vice-reitora da UBI, Sílvia Socorro, no Encontro Ciência e Inovação 2026 e surge num momento particularmente importante com a recém criada Agência para a Investigação e Inovação (AI²), entidade responsável pela coordenação da política científica nacional e pela definição das estratégias para as próximas décadas, e que teve no Encontro Nacional de Ciência o seu primeira grande evento.
O documento apresentado foi selecionado entre as 206 propostas submetidas, e integrou a sessão paralela “Das áreas temáticas aos domínios estratégicos da AI²”.
"A proposta reconhece a mais-valia da visão apresentada e o contributo preparado pela Universidade para o debate nacional sobre ciência e inovação", diz a UBI em nota enviada ao Ensino Magazine, explicando que o documento "considera que Portugal reúne, numa escala territorial rara, contextos muito diferenciados, que podem representar oportunidades estratégicas para a ciência e a inovação".
Nessa perspetiva "foram apresentadas como exemplos as características geográficas influenciadas pelo mar — ilhas atlânticas expostas a alterações climáticas e riscos naturais, ou zonas costeiras e turísticas sob pressão —, as características demográficas — territórios de baixa densidade com populações envelhecidas — e as ambientais — gestão da água e biodiversidade —, além dos desafios nas áreas da saúde, mobilidade, energia, ecossistemas digitais de aprendizagem, participação e valorização do conhecimento".
DE acordo com a proposta, "estes contextos não devem ser vistos como fragilidades, mas como ambientes reais de experimentação em investigação e inovação, nos quais a ciência pode antecipar riscos, testar soluções, envolver empresas e cidadãos e acelerar a transferência de conhecimento para políticas públicas, serviços, economia e sociedade".
O documento resultou de uma ideia partilhada entre vice-reitores com o pelouro da investigação e inovação de várias universidades portuguesas, tendo sido posteriormente alargada a entidades parceiras dos respetivos ecossistemas regionais de inovação, e teve os seguintes proponentes: vice-reitora da UBI, Sílvia Socorro, os vice-reitores Artur Gil, da Universidade dos Açores, Sandra Caeiro, da Universidade Aberta, Pedro Castelo Branco, da Universidade do Algarve, e José Câmara, da Universidade da Madeira. Subscreveram ainda o documento responsáveis de diversas entidades: João Leitão, da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional; Ana Palmeira de Oliveira, da Associação Empresarial da Beira Baixa; João Casteleiro Alves, da CONKORD; Joaquim Ramos, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua; João Pinto Guerreiro, do Algarve STP; Joaquim Nascimento, da Algarve Evolution; Marco Vieira, da NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve; e Nuno Augusto, da TecParques.