O novo reitor da Universidade de Évora (UÉ), António Candeias, considera que o subfinanciamento crónico do ensino superior em Portugal, “condiciona o presente e o futuro” destas instituições públicas.
No seu discurso de tomada de posse, no passado dia 11 de maio, o novo reitor dirigiu-se ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, que não esteve na cerimónia, salientando que o subfinanciamento crónico “condiciona o presente e o futuro das universidades públicas”.
“As universidades têm sido chamadas a responder a exigências crescentes. Mais qualificação, mais ciência, mais educação, mais internacionalização, mais inclusão, mais apoio social e mais modernização digital, mas os meios disponíveis nem sempre acompanham de forma estável e suficiente”, lamentou.
E “esta realidade é particularmente sensível nas universidades de média dimensão, como a UÉ”, ilustrou António Candeias, vincando que estas academias “não são apenas instituições de ensino superior”.
“São âncoras de desenvolvimento regional, coesão territorial e de esperança. São ferramentas indispensáveis para dar resposta aos grandes desafios do país”, defendeu. Por isso, o investimento nas universidades significa “investir num país mais equilibrado, mais qualificado e mais justo”.
Aludindo a “um tempo exigente e de mudança acelerada”, o novo reitor realçou que “a Universidade de Évora não pode ser espetadora, tem de ser protagonista”, pois, “o Alentejo sente muitos destes desafios de forma particularmente intensa”.
E deu como exemplo os desafios para a região na área da demografia e envelhecimento, água e desertificação, sustentabilidade e inovação no setor agroalimentar, recursos endógenos e o impacto da cultura no território.
Na cerimónia de posse, realizada na Sala de Actos do Colégio do Espírito Santo, o principal edifício da UÉ, Candeias admitiu ter um programa ambicioso para os próximos quatro anos, que prometeu que vai aplicar “com método”.
“Definiremos metas, monitorizaremos resultados, corrigiremos o que tiver de ser corrigido, prestaremos contas à comunidade e, se nos enganarmos, reconheceremos o erro e mudaremos de rumo”, acrescentou.
A sua equipa é constituída pelos vice-reitores Ausenda Balbino, Cristina Dias, Antonio Sáez Delgado e Rui Salgado, assim como pelos pró-reitores Elisa Bettencourt, Elsa Lamy, Gertrudes Guerreiro, António Anjos, Carlos Vieira, Leonel Alegre, Nuno Pedroso e Pedro Madureira.
Já a reitora cessante da UÉ, Hermínia Vasconcelos Vilar, passou em revista os quatro anos do seu mandato, detalhando projetos e dados alcançados pela academia durante a sua liderança.
“A minha preocupação foi sempre ter a porta aberta para todos aqueles que comigo queriam falar e ter a capacidade de escutar”, mas “não consegui responder a todas as solicitações e nem sempre decidir de acordo com o que era esperado”, afirmou.
Mostrando-se orgulhosa o pelo trabalho efetuado, Hermínia Vasconcelos Vilar referiu que deixa “uma instituição com melhores condições” do que aquelas que existiam, “mais forte, reconhecida, articulada com redes internacionais, com oferta acreditada e reconhecida e uma investigação que se consolida e alarga”.
O professor catedrático do Departamento de Química e Bioquímica da UÉ António Candeias, de 58 anos, foi eleito reitor da academia alentejana para um mandato de quatro anos nas eleições realizadas no passado dia 30 de março.
António Candeias, que já tinha tentado a eleição há quatro anos, sendo derrotado nesse ato eleitoral por Hermínia Vasconcelos Vilar, venceu desta vez a votação, com 17 votos do Conselho Geral, enquanto a reitora cessante obteve sete.