Um estudo inovador sobre sepulturas subterrâneas da Idade do Bronze no concelho de Serpa, desenvolvido pela arqueóloga Marta Borges no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, revelou que as mulheres eram enterradas com maior quantidade e diversidade de oferendas do que os homens há cerca de 3500 anos, incluindo armas e bens de prestígio vindos de redes de longa distância.
A dissertação de mestrado, orientada por Ana Bettencourt e Hugo Aluai Sampaio, originou um artigo científico publicado na revista ‘Quaternary’ e recebeu honras de destaque no jornal francês ‘Le Figaro’.
A investigação analisou dados de 57 hipogeus em sete sítios arqueológicos alentejanos descobertos durante as obras de regadio do Alqueva, demonstrando que as mulheres eram frequentemente acompanhadas por vasos de cerâmica, punções, metálicos e punhais de liga de bronze rara. A presença pontual de armas em sepulturas de não adultos levanta a hipótese de o estatuto social ser transmitido por via familiar, embora Marta Borges ressalve que não se pode inferir que estas mulheres fossem guerreiras.
Marta Borges, natural de Santo Tirso e com 43 anos, trabalha na empresa Empatia-Arqueologia, Conservação e Restauro, focando o seu interesse profissional na arqueologia de salvaguarda, bioarqueologia e nos contextos funerários da Idade do Bronze peninsular.