O antigo reitor da Universidade da Beira Interior, António Fidalgo, dedicou a sua última lição à vocação de ensinar e à UBI, numa sessão intitulada ‘Universidade como vocação’, que assinalou a aposentação do docente que marcou gerações e foi reitor durante dois mandatos.
Perante uma sala cheia onde dera a sua primeira aula, o antigo reitor partilhou a sua história de vida e a da própria academia desde a década de 1990, tendo a atual reitora, Ana Paula Duarte, consagrado o seu percurso como “um percurso feito de ideias, de palavras, de pensamento crítico e de compromisso com a Universidade”.
A lição tornou-se uma profunda reflexão sobre a Universidade, como chamamento, paixão e responsabilidade pública, atravessada por memórias que passam por Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Brasil e pela Guiné-Bissau. Após estudar em Lisboa e na Alemanha, fundiu-se com a academia covilhanense a partir de 1991, chamando-lhe “o grande amor da minha vida” e assumindo o desiderato de “dar o meu contributo à construção de uma nova Universidade”, o que culminou na criação de cursos, do LabCom e da Faculdade de Artes e Letras.
Defensor de que “a missão primeira da Universidade é a formação humana, cultural, científica e técnica. Por esta ordem”, António Fidalgo relembrou a sua ética de proximidade, pois sempre procurou “tratar os alunos pelo nome próprio”, frisando que esta é “uma relação pessoal que exige personalização de quem ensina e de quem aprende”. Como reitor, lutou contra o subfinanciamento da UBI, que considerava “uma injustiça arrepiante” e, embora brinque dizendo que “resultou em nada”, não fica amargurado: “Mas pronto, chateei-os!”. E congratula-se por ver reformas atuais a corrigir o problema. Ruma agora à Guiné-Bissau para ajudar os franciscanos no Instituto de Estudos Superiores de Comura.