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Propostas No centenário de Marilyn na reforma de Clint Eastwood?

22-06-2026

Marilyn Monroe, Norma Jeane Mortenson ou Barker, nasceu a 1 de Junho de 1926. No mês do centenário do seu nascimento vamos lembrar o maior ícone do cinema que desde muito cedo teve uma vida cheia de sobressaltos.

Abandonada pelo pai e com a mãe internada num hospital psiquiátrico, a solução foi o orfanato. Com um precoce primeiro casamento, tinha 16 anos, divorciada aos 20, Norma  é descoberta na fábrica de paraquedas onde trabalhava por um fotógrafo do exército de mulheres bonitas para fotos que animassem os soldados na frente. Estava-se na 2ª Guerra Mundial. Daí até se tornar o modelo preferido de importantes fotógrafos de Hollywood foi um passo. Depois das célebres fotos de calendário e anúncios de TV, veio a entrada em alguns filmes da FOX: Dangerous Years (1947), Scudda-Hoo! Scudda-Hay! (1948), com os Irmãos Marx em Love Happy (1949), além de outros. O primeiro papel de relevo acontece em Asphalt Jungle (Joh Huston, 1950). “Some Sweet Kid…”, murmurava Sam Jaffe antes de ela lhe dar o goodnight kiss. “Some Little Kid…”, repetiria, libidinoso.

A sua vida e os seus filmes cruzam-se depois de forma vertiginosa até à criação do mito. Antes e depois da sua morte prematura em 1962, a qual contribui e muito para que hoje Marilyn seja mais famosa que muitas estrelas vivas, havendo ainda quem não resista a exibir fracas imitações da sua inolvidável figura.

Filmes como Gentlemen Prefer Blondes (Howard Hawks, 1953), uma adaptação do musical de que a Fox tinha comprado os direitos. Na Broadway, onde esteve em cena quase dois anos, a loira era Carol Shanning e toda a gente pensava, e ela também, de que iria viver o papel no écran. Só que Hawks e Zanuck tinham na manga o trunfo Marilyn. O êxito foi estrondoso, superando Monkey Business, 1952, também de Hawks, ao lado de Cary Grant e Ginger  Rogers. Aliás 1953 foi um ano intenso para a actriz que brilhou em Niagara, de Henry Hathaway, uma intriga criminal numa paisagem natural muito ao gosto do realizador, apesar de a intriga de Niagara não ser muito original na sua essência, tinha todos os elementos imprescindíveis para agradar ao público. E, claro, havia aquela loira, uma mistura explosiva de picante e ingenuidade. Para além de uma estrela, Zanuck criou um mito. Não estranha, pois, que a  tagline não esconda a pretensão do produtor: “Marilyn Monroe and ‘Niagara’ a raging torrent of emotion that even nature can't control!”. Do drama para a comédia, How to Marry a Millionaire, dirigido por Jean Negulesco, um retumbante êxito, supomos que mais por Marilyn. A aposta de Zanuck estava ganha, a estrela era de primeira grandeza. A realização não tem audácia, Negulesco perde-se em grandes planos de Nova Iorque e do Maine quando tinha mesmo à mão três belíssimas actrizes: Marilyn, com o primeiro papel do cast, Betty Grable e Lauren Bacall.

Na sua filmografia não podemos deixar de salientar Bus Stop (Joshua Logan, 1956). O filme é sobretudo Marilyn Monroe. Uma Marilyn à procura de mudança. Não queria mais ser a loira, a boneca. E essa mudança tem muito a ver com este filme em que demonstrou ser actriz. Como disse o realizador, “uma actriz com tanta presença no écran como Greta Garbo e tão boa comediante como Charlie Chaplin”. Aliás, Marilyn empenhou-se a fundo nesse desafio. Frequentou o Actors Studio de Lee e Paula Strasberg e quis tomar conta da sua carreira através da Marilyn Monroe Productions. Como o seu contrato com a Fox acabara, muda-se para Nova Iorque. Aliás as coisas com a Fox nunca andaram pelo melhor: Zanuck queria uma Marilyn no seu figurino habitual, era a força dos dólares. A actriz por seu lado, queria o contrário. Depois de uma tentativa falhada da major de a substituir por um “produto” do género, Sheree North, assina novo contrato com a Fox, mas agora com ela a ditar as regras. Não estranha que neste contrato tenham aparecido alguns dos seus melhores filmes: Some Like it Hot (Billy Wilder, 1959), Let’s Make Love (George Cukor, 1960), The Misfits (John Huston, 1960) ou este Bus Stop, numa das suas representações mais perfeitas! Atribulado e inacabado ficou Something’s Got to Give (George Cukor, 1962).

 

CLINT EASTWOOD NA REFORMA?

 

Há um lugar-comum no Direito, algumas vezes do campo do anedótico, que é a quase máxima, “a doutrina divide-se”. Dá para tudo, até para uma fuga para a frente em questões complicadas nos exames.

Vem isto a propósito da alegada reforma de Clint Eastwood, com afirmações divergentes de dois dos seus filhos: Kyle diz que sim, que o pai se afastou definitivamente das câmaras, quer como actor quer como realizador. Mas, por seu lado, Scott, numa entrevista ao ScreenRant publicada a 9 de junho, não está convencido de que tal aconteça, uma vez que o visado, nada disse até agora.

Clint Eastwood é um caso muito sério no cinema actual. Vem somando êxitos atrás de êxitos, sendo hoje um dos realizadores de referência no cada vez mais competitivo mercado da 7ª arte. Pela qualidade dos filmes, mas também pelos temas que aborda. E têm sido muitos. Como actor é outro ícone, tantos e tão bons os papéis que interpretou. Foi contemporâneo de Marilyn Monroe, mas nunca se cruzaram nos écrans. Foi pena. Reforma? Esperemos para ver!

Até à próxima e bons filmes!

Luís Dinis da Rosa

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

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