Ângela Lemos acaba de iniciar o seu segundo mandato como presidente do Politécnico de Setúbal. Em entrevista ao Ensino Magazine fala do futuro da instituição, onde a criação da Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais, em Sines, marcará a história recente da instituição. A docente, que é também vice-presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), fala ainda do novo RJIES, do subfinanciamento crónico do ensino superior e da forte ligação da instituição à região, com uma elevada taxa de empregabilidade dos seus diplomados.
Iniciou agora o seu segundo mandato. Quais são os objetivos para os próximos quatro anos?
O novo mandato assenta numa lógica de continuidade, consolidação e, essencialmente, preparação do futuro do nosso instituto. Depois de um primeiro ciclo marcado pela concretização de projetos muito estruturantes, nomeadamente ao nível do PRR, do reforço da investigação, da aposta na modernização administrativa e na valorização das pessoas, o objetivo dos próximos quatro anos passa por consolidar o IPS enquanto instituição pública de referência no ensino superior politécnico com forte impacto regional, nacional e europeu.
O Programa de Ação Construir o Futuro com Coesão e Compromisso que apresentei define a visão de um IPS cada vez mais coeso, sustentável, internacional e muito preparado para responder aos grandes desafios do ensino superior, nomeadamente a transformação digital, a inteligência artificial, e o novo Regime Jurídicos das Instituições de Ensino Superior, já aprovado, com a afirmação do novo modelo da Universidade Politécnica.
Nas prioridades destacam-se a promoção do sucesso académico e da inclusão de todos os estudantes; o reforço da investigação aplicada e da inovação; a valorização das pessoas e das suas carreiras; e a implementação da Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais, em Sines. Depois, queremos um aprofundamento da internacionalização e, por fim, uma governação moderna, ética e sustentável. Aquilo que pretendemos é também criar condições para o desenvolvimento de programas doutorais.
Pretendemos reforçar a articulação com o território e consolidar o IPS como uma instituição âncora no desenvolvimento regional. Queremos ser atores e não meramente espectadores.
Um dos projetos que quererá ver implementado é o da nova Escola Superior em Sines. Em que fase é que se encontra esse processo?
Esse é um dos projetos mais estruturantes da história recente do Instituto. Marcará, com toda a certeza, os próximos anos. O projeto está aprovado pelo Conselho Geral e pelo Ministério. Neste momento, o Instituto já conta com seis escolas. Encontramo-nos numa fase para a sua implementação gradual e estruturada do projeto, em estreita articulação com os parceiros institucionais e económicos da região de Sines e do Alentejo Litoral. Neste percurso, a Câmara de Sines tem um papel muito importante. Estamos, também, em articulação com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.
Como carateriza essa nova unidade orgânica?
Trata-se de uma escola com uma forte vocação interdisciplinar, alinhada pelo desafio da transição energética, da sustentabilidade, da logística, da indústria e das tecnologias digitais. Pretendemos é apresentar uma oferta formativa diferenciadora, fortemente articulada com a região. A Escola vai responder às necessidades emergentes do território, um território em ebulição económica. Além da componente formativa, a escola será também um polo de investigação aplicada, de inovação e transferência do conhecimento. Esperamos que ainda este mês o Conselho Geral aprove os Estatutos provisórios, para que a Comissão Instaladora tome posse em junho.
Portanto, a escola começará a receber alunos, no ano letivo 2027/28?
Sim. No ano letivo 2026/27 pretendemos avançar com algumas microcredenciais, pós-graduações e manter os CTESPs, que estão a funcionar através de outras escolas do IPS. As licenciaturas e os mestrados não avançarão no próximo ano letivo, até porque teremos que submeter a sua acreditação.
Porquê esta aposta em Sines?
Pelo histórico de relação com esta região do Alentejo, mas também pelo facto de esta ser a única região do país que não tinha a ensino superior. Por outro lado, pelo forte desenvolvimento económico e industrial que está patente em Sines, fruto de áreas emergentes, como os data centers, a economia azul, ou o alargamento do Porto de Sines, uma estrutura que tem apostado na inovação. Além disso, as grandes empresas instaladas embora consigam recrutar colaboradores, depois sentem dificuldade em lhes dar formação. A nova escola também dará essa resposta.
Referiu no que o mandato 2022-2026 foi um tempo de concretização, de investimento, de transformação. Entretanto, o seu plano de ação fala em seis eixos fundamentais que ditarão a missão do IPS. O que é que espera obter em cada um desses eixos?
São prioridades estratégicas alinhadas com o plano estratégico que foi aprovado em 2024, mas com um horizonte de 2030. A primeira prioridade é o ensino de qualidade, muito centrado na promoção do sucesso, da inclusão e da experiência estudantil. Queremos reforçar práticas pedagógicas que sejam inovadoras, integrar a inteligência artificial, combater o abandono e criar uma oferta que seja mais flexível e ajustada aos perfis dos nossos estudantes.
Depois, o segundo eixo, a afirmação da investigação e da inovação, tem como propósito reforçar a produção científica; a transferência do conhecimento e a criação de condições para os nossos programas de doutoramento. Pretendemos consolidar as unidades de investigação que foram acreditadas neste último ciclo e reforçar a nossa participação em projetos, quer nacionais, quer internacionais. Como terceiro eixo, temos a valorização das pessoas, promovendo o desenvolvimento profissional, o bem-estar, a formação contínua, e acima de tudo, a implementação de uma cultura institucional abrangente e inclusiva.
Como quarto eixo surge o desenvolvimento regional integrado com a relação com as autarquias, empresas, as organizações sociais e culturais da Península de Setúbal e do Alentejo Litoral. Outro dos eixos é sustentabilidade institucional com uma formação mais moderna, mais digital, ética e financeiramente sustentável. O último eixo passa pela internacionalização integrada, aprofundando a participação nas redes europeias, das quais já fazemos parte, através de mobilidade académica e científica e da oferta formativa internacional em consórcios.
A obtenção do resultado máximo na acreditação institucional da A3ES abre caminho para que, assim que o RJIES for publicado em Diário da República, o IPS passe a Universidade Politécnica de Setúbal?
Esse foi um dos nossos objetivos. O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CSISP) lutou muito pela afirmação das Universidades Politécnicas e pela passagem a Universidades Politécnicas. Fomos tendo vários níveis de negociação. Inicialmente estava proposto que tivéssemos um determinado número de doutoramentos para podermos ser Universidades Politécnicas. Entretanto, o Ministério entendeu que não é o doutoramento que faz a diferença. A acreditação por seis anos sem condições foi para nós uma boa medida. Acreditamos que é também aquilo que valoriza mais o ensino Politécnico e este subsistema. Para nós representa, essencialmente, a maturidade institucional que o IPS tem vindo adquirir e reforça a sua capacidade de autonomia e, acima de tudo, a afirmação no Ensino Superior Português. Esta revisão do RJIES constitui uma oportunidade histórica para nós, ensino politécnico. A possibilidade da constituição das universidades politécnicas é entendida, por nós, com um grande sentido estratégico e responsabilidade institucional. É um passo na afirmação do ensino superior politécnico. Mais do que uma alteração da designação, para nós, IPS, o essencial é garantir continuarmos a afirmar um modelo de ensino superior que seja de qualidade, muito ligado ao território, à inovação e à empregabilidade. É isso que temos de aproveitar e que vamos tentar também verter nos nossos estatutos. Queremos criar uma instituição mais ágil e, acima de tudo, mais global.
O nome Universidade poderá fazer com que mais candidatos possam optar pelo ensino Politécnico?
Nós esperamos que sim. Mas não é só a mudança de nome que é importante. Precisamos de uma mudança na sociedade para que entenda que, somos instituições do mesmo nível, com características diferentes, com particularidades, com especificidades. Costumamos dizer que o diploma à saída é igual, seja de uma Universidade, seja de um Politécnico. E continuará a ser. Queremos que quem nos escolhe perceba, a diferença daquilo que está a escolher. Mas escolhendo uma Universidade ou uma Universidade Politécnica, estudará sempre numa Universidade.
A nível da oferta formativa estão previstos novos cursos para o próximo ano?
Propusemos um doutoramento em Engenharia e Gestão da Aquacultura, e um novo mestrado em Fisioterapia no Desporto. Para além disso apostamos muito na criação de cursos breves e microcredenciais. Estamos a trabalhar, com os parceiros da nossa Universidade Europeia, na criação de mestrados e doutoramentos em parceria.
Neste momento, temos a decorrer, no IPS, um processo de reflexão estratégica dentro da reorganização da oferta formativa. Queremos encontrar linhas orientadoras globais para o Instituto, respondendo e respeitando a especificidade de cada uma das áreas, como a saúde, economia, ciências empresariais, educação, engenharias e tecnologias, mas com guias internas que permitam a abertura de opções oferecidas a todos os estudantes, independentemente da escola que o oferece, ou de incluirmos nos planos de estudo a adquisição de competências no âmbito das soft skills.
Essa nova realidade vai permitir que os estudantes possam escolher algumas das disciplinas do seu percurso académico?
Podemos criar percursos flexíveis. Não é um trabalho fácil, mas consideramos que poderemos criar um leque de opções que o estudante possa, em função da sua formação, escolher aquela que considera ser a mais adequada ao seu perfil.
Nessa oferta formativa, há a preocupação de dar resposta àquilo que são as necessidades da região e do país?
Essa é uma das marcas identitárias do IPS. Desde sempre que estamos ligados ao território e aos tecidos económico e social da região. O nosso plano estratégico sublinha precisamente a necessidade de uma oferta formativa, ajustada às atuais e futuras necessidades da região. Há uma forte ligação do IPS à sua envolvente, desde logo com trabalhos de projeto e estágios. Sublinho que o IPS trabalha sempre em articulação com autarquias, empresas, hospitais, associações, permitindo antecipar necessidades de qualificação e ajustando a oferta formativa. Depois há uma componente importantíssima, que é a elevada taxa de empregabilidade dos nossos diplomados, o que demonstra essa adequação entre a formação e o mercado de trabalho. A forte empregabilidade dos nossos diplomados é fruto também da relação e da forma como nós construímos os nossos planos de estudo e a nossa oferta formativa.
Essa era uma das questões que aqui tinha. Nove em cada dez diplomados pelo Politécnico de Setúbal arranjam emprego. E esse emprego é na região ou, ou seja, o Politécnico consegue fixar muitos quadros na região?
Nós fixamos quadros na região, mas não apenas na região. O distrito de Lisboa também absorve muitos. Este é um resultado que nos orgulha muito, que resulta de trabalho que temos vindo a fazer ao longo dos anos. Esta forte empregabilidade resulta de vários fatores, como a forte componente prática e laboratorial dos cursos – os empregadores dizem-nos muitas vezes que optam por escolher os nossos alunos porque eles conhecem a prática, têm o contexto e a componente científica. Os estágios de formação em contexto real de trabalho, a nossa proximidade às empresas e o facto de elas estarem muito dentro do campus, com aulas abertas, com diferentes atividades, tem facilitado muito. Depois, vamos desenvolvendo atividades e iniciativas muito importantes na área da empregabilidade, como a Semana da Empregabilidade, onde durante uma semana temos, para além da Feira de Emprego, muitas atividades e workshops. Criámos o passaporte para o emprego, onde os nossos alunos vão registando todas as atividades que fazem e que podem ser importantes na sua entrada no mercado de trabalho. Realizamos um bootcamp dedicado ao talento, e temos o portal do emprego em parceria com a Softinsa.
Essa relação com o tecido empresarial também significa que o próprio tecido empresarial e as empresas dão o seu contributo para aquilo que podem ser algumas das disciplinas ou alguns dos conteúdos que são necessários para aquilo que precisam?
Quando pensamos nos cursos, faz parte dos nossos procedimentos, ouvirmos as entidades externas. Além do que a A3ES solicita, nós temos esse procedimento. O IPS tem a capacidade, ao nível dos CTESPs, de os desenhar à medida tendo em conta o que o mercado nos pede.
O IPS faz parte da Aliança Europeia, E³UDRES². Qual o balanço que faz da participação do Politécnico e que mais-valias ainda poderão vir a beneficiar dessa aliança?
É muito positivo. É um trabalho árduo, intenso, que como costumo dizer, de endogeneização da E³UDRES² dentro daquilo que é o Instituto Politécnico e o que são as suas formações e a sua forma de trabalhar. A participação nesta Aliança tem sido um dos grandes motores internos da internacionalização e também da transformação institucional do IPS. A E³UDRES² permitiu-nos reforçar a mobilidade internacional dos estudantes e dos docentes, criar projetos conjuntos de investigação e inovação, desenvolver cursos internacionais, e promover práticas pedagógicas inovadoras. Outra questão interessante é o envolvimento dos alunos. A Aliança tem um Conselho de Estudantes, onde o IPS está representado – recentemente os nossos estudantes promoveram um bootcamp para os estudantes da E³UDRES².
Para além disso, a Aliança traz-nos mais oportunidades, como seja o desenvolvimento de graus conjuntos, o reforço da investigação colaborativa, a internacionalização dos currículos e a integração em redes europeias de excelência
Falou em cursos conjuntos. Podem também nascer duplas titulações?
Claro. E estamos a trabalhar nisso com a nossa Universidade Europeia.
Nós temos já duplas titulações, maioritariamente ao nível dos mestrados. Ao nível da licenciatura temos uma com um parceiro europeu. Além disso, temos apostado muito nas duplas titulações com o Brasil.
Uma das áreas em que o Politécnico se está a destacar é a da Biotecnologia Aquática, Ambiente e Tecnologias Energéticas. Foi mesmo selecionado para liderar um centro de excelência. Qual é que é o objetivo desse centro e em que medida isso vai diferenciar o IPS em termos nacionais e internacionais?
Este centro representa uma oportunidade muito importante para afirmar o IPS como instituição de investigação aplicada. Queremos que o Instituto seja uma instituição de referência nesta e noutras áreas estratégicas para o futuro da sociedade. Temos como objetivo desenvolver investigação aplicada altamente especializada, em articulação com os nossos parceiros nacionais e internacionais, respondendo aos desafios ligados à sustentabilidade, energia, ambiente e à economia azul. O Centro vai reforçar a nossa capacidade científica. Esperamos atrair mais investigadores e financiamento internacional. Queremos, com ele, aprofundar a nossa ligação às empresas, ao território nacional e consolidar a integração do IPS em redes europeias de investigação.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está quase a chegar ao fim, em que fase estão os projetos do IPS?
O IPS aproveitou de forma muito significativa o financiamento do PRR, nomeadamente em áreas como as infraestruturas, a digitalização, a inovação pedagógica, a digitalização, a investigação e o alojamento estudantil. Neste momento, temos vários projetos em fase avançada de execução, como seja a construção do edifício da Escola Superior de Saúde.
Depois, no PNAES, temos as residências do Barreiro Setúbal e Sines. Estamos a desenvolver, no âmbito digital, o reforço tecnológico e digital. Temos implementado microcredenciais, respondendo às necessidades da região, dentro daquilo que são as áreas steam, digital, ou saúde. Depois temos também a implementação de laboratórios e espaços de inovação pedagógica, nomeadamente através do nosso Centro de Excelência, num consórcio com mais nove instituições. O grande desafio passa pela conclusão destes projetos no prazo previsto e assegurando a sustentabilidade futura do Instituto. Está tudo encaminhado para que isso seja conseguido. Estamos a fazer um esforço muito grande e a trabalhar muito de perto com todas as empresas que estão a executar as obras.
A região Setúbal não foi muito afetada pela tempestade de Kristin. O certo é que a tempestade devastou a zona centro do país e houve, provavelmente, necessidade por parte das empresas de deslocarem meios humanos para essas zonas. Vocês sentiram isso também?
Sim. Apesar de não termos tido nenhuma empresa que diretamente nos tenha pedido adiamento de prazo por trabalhar com empresas da região afetada, temos duas empresas que estão associadas à zona centro, nomeadamente a Leiria e a Ourém. Não fomos afetados diretamente mas houve alguns atrasos, sobretudo na entrega de materiais, o que dificulta os trabalhos.
Falou há pouco no RJIES, como é que avalia este novo regime e também o facto de não ter havido unanimidade na Assembleia da República sobre um documento tão estruturante?
Gostaríamos que tivesse existido mais consenso, mas a democracia é mesmo assim e eu considero que esta nova lei tem uma abertura muito grande à constituição das Universidades Politécnicas, reconhecendo a maturidade científica e institucional que muitos politécnicos já atingiram. O Rjies vem com algumas questões que eu particularmente, enquanto presidente de uma instituição, posso questionar, mas globalmente valoriza muito o ensino superior em Portugal. Continua a manter as duas vertentes, politécnico e universidade, valorizando muito a identidade própria do ensino politécnico, a sua ligação ao território, à investigação aplicada e à informação orientada para a prática e para a inovação. Globalmente valoriza, no seu todo, o ensino superior português.
Uma última questão tem a ver com o financiamento do Estado às IES, ou com o subfinanciamento, que tem sido crónico. Que fatores é que deveriam ser tidos em conta no futuro para corrigir essas diferenças?
O subfinanciamento do ensino superior é estrutural e limita muito a capacidade das instituições responderem plenamente àquilo que é a sua missão. O atual financiamento não permite o real desenvolvimento das instituições e há alguns fatores que eu considero que deveriam ser tidos em conta para além do número de estudantes. Falo da diversidade da oferta formativa, os custos laboratoriais - não se entende, por exemplo, o maior investimento e o maior financiamento das universidades, quando no politécnico os tempos laboratoriais, por norma, são até mais altos e maiores. Devia ter também em conta a investigação, a ação social, a componente da internacionalização, a sustentabilidade das infraestruturas, porque nós tivemos com o PRR uma forte aposta nas infraestruturas, mas na globalidade as nossas instituições precisam de manutenção das infraestruturas. Com o atual financiamento, não conseguimos dar resposta. Não há financiamento próprio e com o subfinanciamento por parte do Estado é muito difícil fazer isso. Outro indicador que deve ser tido em conta é o impacto real das instituições nas suas regiões. No caso, é importante reconhecer o papel estratégico que o IPS desempenha na Península de Setúbal e no Alentejo Litoral.
Este subfinanciamento obriga à utilização dos saldos das instituições, quando os há?
Os projetos do Pressão financiados pelo ano em que foram aprovados. Mas a maioria dos projetos, nomeadamente das infraestruturas e obras, excedem largamente aquilo que foi o seu financiamento. Portanto, as instituições vão investir muito daquilo que são os seus saldos que foram conseguindo ao longo das últimas décadas e nem todas os conseguem ter. Temo que, algumas fiquem sem eles. Era urgente que o senhor ministro revisse esta forma de financiamento e que a aposta no ensino superior fosse também uma aposta de financiamento do ensino superior.
Ainda na questão das verbas, no caso de as instituições não conseguirem concluir as obras do PRR a tempo, terão que ser as instituições a assumir esses custos, deveria haver também por parte da tutela do governo algum tipo de apoio para fazer face a esse tipo de situações que certamente irão acontecer?
Penso que sim e parece-me que irá acontecer. O governo deveria pensar numa linha de apoio às instituições que não conseguirem dar, que não conseguirem concluir os seus projetos e que de alguma forma poderão ter a sua sustentabilidade financeira muito abalada. Estamos todos a trabalhar para que isso não aconteça, mas falta pouco até agosto. Teremos que ver se essas empresas têm capacidade para cumprir aquilo que são os seus compromissos e nós os nossos.