A pedagoga Maria Emília Brederode dos Santos, que morreu dia 11 de abril, aos 84 anos, deixa um percurso humanista ligado à melhoria da educação em Portugal, quer no Ministério da Educação quer na RTP onde de dedicou programas educativos. Colaborou também com o Ensino Magazine, tendo participado com um brilhante artigo no livro "Ideias Simples para uma Escola Feliz", com coordenação de João Ruivo e edição da RVJ Editores.
No livro, uma das mais importantes obras dedicadas à educação lançada no espaço europeu e que reúne investigadores de vários países, Emília Brederode dos Santos onde faz uma viagem pela sua infância, pelo seu percurso de aprendizagem, mas também de professora, pela inclusão, num texto brilhante e que merece ser lido e relido.
Nascida a 21 de março de 1942, em Campo de Ourique, Lisboa, Maria Emília Brederode dos Santos dedicou a sua vida à educação e foi, dia 11 de abril, lembrada pelo presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Domingos Fernandes como” alguém com uma formação profundamente humanista muito tolerante perante a diversidade de ideias”.
“De uma grande leveza na abordagem das questões mesmo quando eram questões complexas”, a especialista em educação, que presidiu ao Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022, deixa um percurso marcado “por uma grande leveza”, ao longo do qual “se preocupou genuinamente pela melhoria da educação em Portugal, e muito particularmente no Portugal democrático e no Portugal livre”.
Maria Emília Brederode dos Santos teve uma ligação umbilical com o Politécnico de Setúbal (IPS), mais concretamente, com a Escola Superior de Educação, desde final da década de 80, quando foi docente da Escola Superior de Educação (ESE/IPS) e integrou a primeira Comissão Instaladora desta Escola, nomeada a 10 de julho de 1985.
O seu contributo para a respetiva implementação, que não estava prevista no projeto nacional de implementação das ESE, foi essencial, e a sua visão ajudou a moldar a identidade inovadora, inclusiva e participativa que ainda hoje caracteriza a ESE/IPS e o projeto educativo do IPS.
Foi eleita presidente do Conselho Geral do IPS em 2017, mandato que interrompeu para o desempenho de funções no Conselho Nacional de Educação. Em 2024, foi-lhe atribuído o título de Professor Emeritus do Politécnico, pela excecional contribuição à causa da educação, a nível nacional, valorizando o país, a região e prestigiando o IPS.
Licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston, efetuou ao longo da vida um percurso que “não pode ser ignorado por aqueles que acompanharam e acompanham os desenvolvimentos da educação no país”.
Entre os vários cargos que exerceu, na área da educação, destaca-se a sua missão na Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e, entre 1997 e 2002, na presidência do Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação.
De acordo com o seu currículo publicado pela Assembleia da República, ao longo da sua vida como pedagoga esteve ligada a vários projetos, tendo sido diretora pedagógica das quatro séries do programa televisivo Rua Sésamo, emitido na RTP; coordenou a publicação da "Constituição da República Portuguesa Trocada por/para Miúdos"(Ed. Assembleia da República), foi co-autora do Manual de Educação para os Direitos Humanos Compasito e autora do livro Aprender com a TV.
Enquanto assessora do diretor de programas da RTP 2 e do departamento de programas infantis e juvenis da RTP concebeu, produziu e foi responsável ou co-autora de vários programas televisivos educativos como o Jardim da Celeste, Alhos e Bugalhos ou Poemas Pintados.
Antes, no Ministério da Educação tinha sido co-autora e responsável pelos programas televisivo e radiofónico "Falar Educação" e "Cá fora também se Aprende".
Em 2016, co-produziu um projeto de formação e um manual de Educação para os Media para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Presidiu à Associação Portuguesa de Intervenção Artística e de Educação pela Arte 2006 a 2008, à Comissão de Avaliação da Escola Superior de Educação pela Arte e ao Grupo interministerial para o Ensino Artístico.
Condecorada com a Ordem da Instrução Pública (grau de Grande Oficial, 2004), recebeu o Prémio da Boston University's General Alumni Association em 1994; o Prémio Rui Grácio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação em 1992 e o Prémio Jean Louis Claparéde da Universidade de Genebra, em 1972.
Irmã do advogado e jornalista Nuno Brederode Santos, Maria Emília Brederode Santos foi casada com José Medeiros Ferreira (1942-2014).
Maria Emília Brederode dos Santos distinguiu-se também como opositora da ditadura, ação destacada pelo Presidente da República, António José Seguro, que na sua mensagem de condolências à família a recordou como "uma mulher do 25 de Abril", comprometida "com a liberdade e com a ideia de que a educação é sempre um ato político".
À família e amigos, o Ensino Magazine endereça sentidas condolências.