Divã Ocidental-Oriental (Edições do Saguão), de J.W. Goethe (1749-1832), com tradução, introdução, notas e glossário de João Barrento, reúne doze livros de poemas resultantes do encontro com o poeta persa Hafez, do século XIV, como fonte principal de inspiração para esta obra maestra:” Quem a si e outros conhece/Aqui há-de constatar/Que Oriente e Ocidente/Não se podem separar”.
Comboio-Fantasma para o Oriente (Quetzal), de Paul Theroux (n.1941, Medford), reedição de um livro de viagens realizadas pelo escritor norte-americano, desde a Turquia, Índia até ao Japão, visitando lugares, falando com as pessoas, e conhecendo outros modos de vida, seguindo a rota do Transiberiano, numa empolgante reportagem por lugares distantes e desconhecidos.
Disse-me um Adivinho (Tinta-da-china), de Tiziano Terzani (1938- 2004), natural de Florença e corresponde na Ásia para jornais europeus, publicou esta magnífica súmula da sua experiência asiática de décadas, depois de percorrer, por terra, durante um ano, o Extremo Oriente, numa viagem de autodescoberta, agora reeditado, e primeiro titulo da excelente colecção de livros de viagem.
Os Pássaros de Banguecoque (Quetzal), de Manuel Vásquez Montalbán (1939-2003), um caso de desaparecimento leva o detective privado Pepe Carvalho até à Tailândia, depois de deixar pendentes dois casos menores em Barcelona, aonde regressa, depois de ter mergulhado na Ásia profunda, e ter recolhido inusitadas pérolas de sabedoria e culinária, só resolvendo o caso ao regressar a casa.
Cântico de Salomão (Presença), de Toni Morrison (1931-2019), nobelizada autora norte-americana, conta-nos neste romance magistral, a história de quem sabia voar para longe das agruras do mundo, uma herança familiar, que o protagonista incitado por um amigo, vai descobrir, viajando para o Sul, para o terreno das memórias de negros, índios e brancos, cantadas por uma melodia que eleva e tudo transforma.
As Raízes da Língua (Guerra & Paz), de Marco Neves (n.1980, Peniche), com o subtítulo “A História de 50 Palavras Portuguesas”, instiga o leitor a conhecer a origem de meia centena de palavras usadas correntemente, através da sua história, por vezes atribulada, numa aventura linguística de alto teor, todas filhas do proto-indo-europeu, língua-mãe que se disseminou através do tempo e do espaço até chegar ao português.
Revolução Moral (Bertrand), de Rutger Bregman (n.1988), transcrição das palestras Reith da BBC, sob o mote: “As democracias não colapsam da noite para o dia… não tenhamos medo de dizer a verdade”, desassombrada denúncia da ascensão do autoritarismo e do fracasso das elites, face ao esboroamento democrático, propondo, através de exemplos históricos, uma profunda renovação moral da política.
Como Funciona a Propaganda (Penguin), de Jason Stanley (n. 1969), filósofo norte-americano, explica como funciona a propaganda que condiciona as sociedades, recorrendo a diversas disciplinas, desde a psicologia social, semântica ou epistemologia, demonstrando como os mecanismos de persuasão são eficazes:“Será sempre uma das melhores piadas da democracia o facto de ter dado aos seus inimigos mais mortíferos os meios através dos quais foi destruída” (Goebbels).
A Aliança Invisível (D.Quixote), de Benjamim R. Teitelbaum (n.1983), com o subtítulo “O regresso do Tradicionalismo e a ascensão da direita populista”, onde o etnógrafo norte-americano segue várias figuras notórias, influenciados por delírios teocráticos, ocultistas e reaccionários, que fundamentam o ataque e destruição da modernidade, numa investigação profunda dos objectivos subjacentes à conquista do poder.
Resistir (Tinta-da-china), de Alberto Manguel (n.1948, Buenos Aires), reflexões deste leitor universal sobre o estado do mundo, num manifesto em que a literatura, tendo Dante como guia, serve de bálsamo para enfrentar os desafios do presente, desde a aldrabice da IA à catástrofe ambiental, sem esquecer o recrudescimento das tiranias, com o conhecimento de um Moralista à antiga, que se propõe dissipar as trevas que parecem ter-se abatido sobre a espécie humana e o planeta.
Krishnamurti (Companhia das Ilhas), de Joaquim M. Palma (n. 1952, Vila Viçosa), com o subtítulo “O filósofo que não quis discípulos”, biografia de J.Krishnamurti (1895-1986), pedagogo e filósofo, que deixou uma vasta obra de questionamento , aqui apresentada com uma generosa antologia da sua maiêutica radical, propondo uma análise e descondicionamento de crenças e ideias feitas sobre a vida e o mundo.
Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico