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Cultura Livros & Leituras

15-07-2026

O Poeta Nu (Assírio & Alvim), de Jorge de Sousa Braga (n. 1957, Cervães), poesia reunida na sua terceira edição, num registo de fina ironia, releitura de certa tradição ocidental e oriental, e prosódia descomplexada, como se lê nesta “Meditação”: “Não há melhor lugar para meditar/do que na cauda de um tufão”.

Manifesto pela Leitura (Bertrand) de Irene Vallejo (n. 1979, Saragoça), grande defesa da leitura e dos livros, e das suas incomparáveis virtudes na educação do ser humano, passaporte para a aventura do conhecimento e para uma vida plena.

Fazer de Estátua - Uma lenda (D. Quixote), de Gunter Grass (1927-2015), conto inédito do nobelizado alemão em 1999, parte da história de Uta de Naumburgo, mulher de rara beleza, no longínquo século XIII, trazida para actualidade pelo poder efabulatório, com desfecho inesperado e fatídico.

A Testemunha- Contos completos (E-Primatur), de Graciliano Ramos (1892-1953), figura central da geração de 30, autor de uma obra “seca, exacta, cortante”, a sua prosa “trabalha a elipse, o silêncio e a economia verbal”, é um expoente maior da literatura brasileira do século XX.

Pôr-do- Sol com Leão Deitado (D. Quixote) de Mário Cláudio (n. 1941, Porto), três retratos em passeio pela memória da cidade, a recordação de um infausto leão africano abandonado, e uma revisitação da vida do poeta António Nobre, tudo servido com o perfume da evocação literária e nostálgica.

Servidão Humana (ASA), de Somerset Maugham (1874-1965), clássico romance semi-autobiográfico do autor de “O Fio da Navalha”, seguindo a vida de um jovem tímido que se entusiasma pelas artes em Paris, e pelo trabalho em hospitais londrinos, e por uma paixão, que o pode destruir sem remédio, uma servidão a que não consegue resistir.

O Livro das Minhas Vidas (Bertrand), de Margaret Wood (n.1939, Otava), ou “Uma espécie de memórias”, autobiografia pessoal e literária da escritora canadiana, uma visionária de língua afiada, cheia de humor, lúcido e mordaz, em páginas onde se reflecte sobre a vida e a literatura.

O Último Instante (D.Quixote), de Salman Rushdie (n. 1947, Bombaim), com o subtítulo “Um Quinteto de Histórias”, é um prodígio de imaginação do escritor anglo-indiano, em três continentes, sobrevoando e apresentando personagens nada vulgares, em situação de finais de vida, desde uma jovem música a um académico fantasma, um jovem escritor ensandecido ou o fim das palavras.

O Livro dos Prólogos (Quetzal), de Jorge Luis Borges (1899-1986) antologia de prefácios que o genial escritor argentino foi coleccionando sobre autores que muito lhe diziam, dos conterrâneos aos imortais  Cervantes, Shakespeare, Whitman, Kafka, Swedenborg e muitos mais, num magistral curso de literatura à la Borges.

Crime no Monte Fuji (Presença), de Shizuko Natsuki (n. 1938, Tóquio), da celebrada romancista policial nipónica, com uma jovem norte-americana e a sua amiga japonesa no centro de uma trama enovelada, com todos os ingredientes de um crime clássico, no seio de uma influente família. onde nem tudo que parece é.

O Espião em Guerra (Lua de Papel), de Charles Beaumont, seguimos as aventuras de um antigo espião britânico, desta feita em plena invasão russa da Ucrânia, para onde viaja, tentando deslindar o novelo da cumplicidade inglesa no conflito, depois de quase ter morrido à mãos dos russos e ter descoberto uma verdade incómoda.

21 Lições de Filosofia (Planeta), de David Erlich (n.1989, Lisboa), com o subtítulo “Para viver uma vida quase boa”, uma desempoeirada visita aos filósofos antigos e mais actuais, bem-humorada e fundamentada, numa reflexão sobre a vida plena e realizada.

Sobre a Igualdade de Todas as Coisas (Penguin), de Carlo Rovelli, reputado físico teórico e divulgador científico, em seis brilhantes lições proferidas em Princeton, sobre todas as implicações filosóficas da nova física quântica, ainda por compreender e  integrar no pensamento contemporâneo.

Cartago (Bertrand), de Eve MacDonald, com o subtítulo “O império que desafiou Roma”, conta a história esquecida, e agora posta no seu devido relevo, da poderosa cidade, fundada por fenícios e que, durante seis séculos, moldou a civilização mediterrânea, até ser impiedosamente destruída pelos rivais romanos.

Rosseau e Outros Cinco Inimigos da Liberdade (Gradiva), de Isaiah Berlin (1909-1997), célebres conferências radiofónicas da BBC, do historiador de ideias, sobre seis personalidades anti-liberais, defendendo a liberdade contra todos os equívocos que se disseminaram nos séculos vindouros.

Em Nome da Língua. Ámen (Penguin), de Manuel Monteiro, livro I, com o subtítulo “Colecção de violências e heresias contra o Português, contra todas as iniquidades cometidas contra o idioma, um compêndio de leitura obrigatória, contra o “tantofazismo” que nos atormenta com a ignorância do malfadado “acordês”.

José Guardado Moreira

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

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