As Viagens de Gulliver (Quetzal), de Jonathan Swift (1667-1745), com tradução e notas de Rita Cipriano, na excelente colecção “ A Biblioteca de Alexandria”, o celebrado romance do escritor satírico irlandês, descrevendo as quatro viagens do protagonista por mundos extravagantes, numa paródia social e política muito séria.
Morte em Veneza (Bertrand), de Tomas Mann (1875-1955), novela clássica do escritor alemão, em cenário veneziano decadente, pondo em evidência o conflito entre a obsessão do desejo e a beleza e morte, protagonizada por velho escritor erudito e um jovem efebo, que será a sua perdição.
Portofino Blues (Quetzal), de Valerio Aiolii (n. 1961, Florença), recriação romanceada de um caso que abalou a alta sociedade italiana, o desaparecimento e morte da condessa Francesca Agusta, da sua Villa Altachiara, um enigma policial envolvendo sexo, drogas e heranças milionárias, num extraordinário registo de grande ficção.
Territórios de Fronteira (Quetzal), de Gerald Murnane (n. 1939, Melbourne), escritor australiano, autor de uma obra muito original e única, onde a memória recordada se entrelaça com os limites ficção imaginada de uma rica paisagem mental interior: “a mente é o lugar que se observa melhor a partir das fronteiras”.
A Crónica de Travnik (Cavalo de Ferro), de Ivo Andric (1892-1975), em reedição, a obra-prima do nobelizado escritor bósnio, ambientado na época napoleónica, quando um diplomata francês é enviado para Travnik, na altura capital da província do Império Otomano, pequena cidade multiétnica, onde grassam as rivalidades, e se desengana da vida e compreende que tudo é efémero.
O Seio (D. Quixote) de Philip Roth (1933-2018), extravagante história de teor kafkiano, na qual um pacato professor acorda certo dia transformado num enorme seio, o que vai transtornar por completo a sua vida, num acontecimento que parece divertido, mas com enormes implicações pessoais inconfessadas.
Diabolíada (Presença), de Mikhail Bulgakov (1891-1940), reúne duas novelas, a que dá título ao livro e “Os Ovos Fatídicos”, sátiras do poder da burocracia soviética, história de um pobre escriturário despedido, de um humor negro hilariante, e na segunda novela, onde impera o fantástico e o absurdo delirante, que oferece ao leitor uma nova faceta do escritor nascido em Kiev, digno confrade de Gógol.
A Musa de Picasso (Singular), de Louisa Treger, recria a vida de Dora Marr, pintora e fotógrafa, que documentou a feitura de “Guernica”, e inspirou quadros do pintor espanhol, um relacionamento conturbado, feito de amor e pesadelo, numa Paris ocupada pelos alemães, com tudo o que isso implicava de perigo iminente.
Sobre a Ficção Policial (Tinta-da-china), de Fernando Pessoa, com prefácio de Alberto Manguel, com edição, tradução e posfácio de Gianluca Miraglia, reúne apontamentos e observações do poeta, um entusiasta leitor de literatura policial, e as suas deduções sobre a arte do crime, uma página mais sobre o enigma pessoano.
Águas Turvas (ASA), de Len Deighton (1929-2026), um enredo de espionagem bem urdido, ambientado em Albufeira, ao largo da qual um submarino alemão jaz desde finais da Segunda Guerra Mundial, guardando um segredo que suscita cobiça, numa história magistral de um dos mestres do género.
Agente Zigzag (D.Quixote), de Ben Macintyre, um muito bem documentado relato daquele que é considerado o mais famoso agente duplo da Segunda Guerra Mundial, um patifório alemão, que é enviado para Inglaterra, mas que é ”virado” pelo MI5, uma vida quase inverosímil e cheia de peripécias dignas da melhor ficção.
Cleópatra (Guerra & Paz), de Christian-Georges Schwentzel (n.1967), historiador francês, que baseando-se nas mais recentes descobertas arqueológicas em Alexandria, estuda a vida da rainha egípcia que viveu entre os anos de 69-30 a.C., desfazendo mitos que a História consagrou, apresentando o verdadeiro rosto desta mulher poderosa, estratega astuta e reformista, e que não foi a “sedutora fatal” que os autores latinos e seguintes falsamente difundiram, e a cultura recente acentua.
A Arte Militar (Gradiva), de Wei Liao (370-319 a.C.), um dos sete grandes clássicos chineses sobre o Tao da guerra, na esteira de Sun Tzu, com conselhos racionais e pormenorizados sobre a preparação e condução dos exércitos em combate: “ o desejo nasce da ausência de limites e o mal nasce da ausência de proibições”.
Um Nobre, um Frade e um Camponês entram numa Taberna (Ideias de Ler), de Paulo M. Dias, como subtítulo “Histórias inesperadas do Portugal medieval”, é um bem-humorado compêndio de micro-história, relatando acontecimentos, personagens e feitos de homens comuns, reis e estrangeiros, que povoaram este reino, num impressionante cacharolete de factos esquecidos nos anais da História.
Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico