Nesta Melodia Graciosa (Assírio & Alvim), com o subtítulo “Poesia dos Trovadores Provençais”, com tradução, edição e notas de Graça Videira Lopes, apresenta poemas desta tradição, e dos seus mais notáveis representantes desta corrente literária, que foi tão importante, dos séculos XI e XII, na edificação da nova poesia medieval europeia.
77 Sonetos Para Um Ensaio-Geral (Assírio & Alvim), de Bernardo Maria Salgado, renova, de forma impressiva, a forma soneto, que impõe desde a sua invenção, ao contrário do verso livre, uma moldura estrita, o que não impede a sua actualização.
Pensar Como Um Filósofo (Gradiva), de Julian Baggini, fundador da revista inglesa “The Philospher´Magazine”, apresenta em doze capítulos, tudo o que sabe sobre “pensar bem”, baseando-se em entrevistas feitas a praticantes da disciplina, num autêntico manual de boas práticas filosóficas.
O que é a Filosofia? (Bertrand), de José Ortega y Gasset (1883-1955), curso de filosofia que o eminente pensador espanhol ministrou em 1929, debatendo o alcance das teorias da sua época, evitando “as armadilhas do racionalismo moderno”.
Espinosa (Quetzal), de Ian Buruma (n. 1951, Haia), com o subtítulo “O messias da liberdade”, sobre a vida e obra de Bento de Espinosa (1632-1677), é uma excelente visitação das circunstâncias históricas em que desabrochou o pensamento, em registo biográfico, daquele que foi um dos arautos do Iluminismo no século XVII.
Contra a Identidade (Guerra & Paz), de Alexander Douglas, com o subtítulo “A Sabedoria de escapar do Eu”, investiga três pensadores de épocas diversas, Zhuangzi, Espinosa, e René Girard, que oferecem pistas e os meios eficazes para evitar a armadilha da ilusão do “eu identitário”,
O Assédio (ASA), de Arturo Pérez-Reverte (N. 1951, Cartagena), romance situado em Cádiz, no ano de 1811, sitiada pelos franceses, tendo como protagonistas um erudito professor que joga xadrez com o chefe da polícia, que tenta desvendar os misteriosos crimes que põem a cidade em sobressalto.
Fragmentos de Apocalipse (Quetzal), de Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999), uma fantástica digressão do mestre galego, relatando factos ocorridos numa cidade que pode ser a recriação de Santiago de Compostela, num caleidoscópio de épocas, acontecimentos e personagens, cheio de humor, magia e ironia.
Fahrenheit 451 (Cavalo de Ferro), de Ray Bradbury (1910-2012), uma das obras marcantes do escritor, criando neste livro visionário, a distopia de um mundo em que os livros são queimados, até que o bombeiro protagonista começa a interrogar-se, descobrindo que, apesar de tudo, há formas de resistir à inceneração do conhecimento.
Soldados de Salamina (Porto Editora), de Javier Cercas (n.1962, Cáceres), magnífico romance sobre a Guerra Civil espanhola, em torno de um escritor falangista que esteve a ponto de ser fuzilado, e do seu improvável salvador, um soldado republicano, numa soberba elegia sobre os homens que combateram e saíram vivos relembrando os mortos.
Os Livros Que Não Escrevi (Gradiva), de George Steiner (1929-2020), sete ensaios sobre temas tão diversos como a obra de um sinólogo, a inveja, a linguagem do sexo, o sionismo, a relação com os animais ou teologia do vazio, numa demonstração de erudição e franqueza, só alcance de uma mente lúcida e cosmopolita.
Uma História da Literatura Portuguesa (Penguin Clássicos), de Fernando Pessoa, com edição, organização e introdução de Nuno Ribeiro, reúne um conjunto de textos do poeta que, falando sobre autores desde Camões, com especial interesse o estudo sobre António Botto, se descreve de facto a si mesmo como criador. “A Arte é, com efeito, o aperfeiçoamento subjectivo da vida”.
Vénus em Chamas (Penguin), de Pedro Vieira (n. 1975, Lisboa), com o subtítulo “E Deus instrumentalizou a mulher”, apesenta sete retratos de mulheres que foram subalternizadas pelos relatos oficiais, escrita pelos vencedores, alternando ficção, iconografia e historiografia, num livro em que ressalta o notável papel das mulheres.
Rainhas de Jerusalém (Penguin), de Katherine Pangonis, com o subtítulo, “Mulheres que ousaram governar”, apresenta a história desconhecida das rainhas que governaram, nos séculos XI e XII, os reinos cristãos do Próximo Oriente, até à queda da Cidade Santa, mulheres fortes e poderosas, que foram relegadas pela História oficial.
Proto (Temas e Debates), de Laura Spinney, com o subtítulo “Uma história da linguagem – como uma língua antiga se tornou global”, dá-nos conta das mais recentes descobertas linguísticas, arqueológicas e biológicas sobre como o protoindo-europeu evoluiu do seu berço na Ucrânia, para se tornar a mãe de grande parte dos idiomas falados ainda hoje em dia.
Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico