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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXVIII

Primeira Coluna A pressa é inimiga da perfeição

13-07-2026

Diz a velha máxima que só não erra quem não faz. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) alterou o modo de correção dos 300 mil exames do 11.º e 12.º anos referentes à primeira fase, digitalizando todas as provas, distribuindo-as pelos professores. O processo que pretendia ser mais célere, objetivo e eficaz, acabou por se tornar no maior tormento da história recente do Ministério da Educação. Isto porque as provas não chegaram a tempo aos professores corretores e, muitas chegaram, mas não estavam completas. Acresce que o próprio sistema esteve inoperacional durante algum tempo, alegadamente para suprir falhas detetadas.
Instalada a situação, o Ministério procurou identificar e solucionar os problemas, adiou as datas da publicação dos resultados e decidiu que todos os cerca de 160 mil alunos iriam ter acesso aos seus exames corrigidos através da plataforma eletrónica, não necessitando de solicitar a cópia das suas provas, como acontecia até agora.
Todos percebemos que o objetivo era retirar burocracia e complexidade, dar agilidade e tornar mais leve e ecológico todo o processo dos exames (desde a sua elaboração, ao transporte até às escolas pelas forças de segurança, à sua realização por parte dos estudantes com toda a estrutura associada a cada escola, até a recolha dos mesmos - novamente pelas forças de segurança -, a sua digitalização e envio aos professores corretores, e finalmente a publicação dos resultados obtidos).
Acontece que uma operação desta envergadura e a sua centralização exigia testes exaustivos em situação de ensaio, aproximadamente com o mesmo número de exames e alunos, e com o mesmo número de dias previsto nos calendários. Isto permitiria que os erros, agora detetados em contexto efetivo, fossem identificados e corrigidos, que as dúvidas dos professores corretores fossem tidas em conta, de forma a que quando sistema fosse implementado pudesse haver um histórico que prevenisse eventuais problemas. Além disso, o facto de se concentrarem os serviços e os agrupamentos de exames, que passaram a ser responsáveis por um maior número de escolas, tornaram as respostas mais complexas e muitas vezes inexistentes.
O importante é que no final deste processo nenhum estudante fique prejudicado. Os exames em causa definem a entrada num ou noutro curso superior. E, perante poucos esclarecimentos e a contestação de professores que afirmaram não ter recebido as provas completas, há muitas dúvidas sobre o rigor da operação. Os alunos - e as suas famílias - devem por isso aproveitar a possibilidade anunciada pelo ministro da Educação de consultarem as suas provas e verificarem se está tudo conforme.
Os cerca de 160 mil estudantes que realizaram os seus exames, que trabalharam arduamente com vista a alcançarem os seus objetivos - entrar nesta universidade ou naquele politécnico -, aquilo que exigem ao Ministério é competência no envio das provas completas aos professores corretores e, destes, rigor na sua correção e na divulgação dos resultados.
Um contexto como este terá, necessariamente, responsabilidades políticas, que os partidos irão dirimir entre si. Mas, terá que ter, - isso cabe à sociedade exigir -, uma resposta clara e objetiva sobre o que falhou, e como mais de cem mil estudantes (e as suas famílias) com a vida em suspenso e carregada de ansiedade.
Como disse, só não erra quem não faz. Acredito que com os dados técnicos que tinha, o Ministério decidiu prosseguir com este novo sistema. Às vezes a pressa é inimiga da perfeição…

João Carrega
carrega@rvj.pt
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