O reitor da Universidade Politécnica de Castelo Branco (UPCB), Luís Farinha, reivindicou, no dia 28 de outubro, para a instituição mais e melhores condições para formar, nomeadamente um centro de rendimento desportivo e um centro de formação avançada.
“Esta tem de ser a nossa ambição: dar à UPCB melhores condições para formar, investigar e cooperar. Precisamos de concluir as residências estudantis. O alojamento dá segurança aos estudantes e às famílias e é uma condição de acesso, de sucesso académico e de atração de talento. Tem de ser uma prioridade concretizada”, afirmou Luís Farinha, durante a sessão comemorativa do 46.º aniversário da UPCB, onde marcaram presença os autarcas de todas as autarquias de Castelo Branco, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão; os antigos presidentes e vice-presidentes do Politécnico de Castelo Branco; reitores e vice-reitores de universidades e Universidades Politécnicas; e representantes das principais entidades da saúde, justiça, tecido empresarial e do associativismo, para além da comunidade académica, que encheu por completo o auditório da Escola Superior de Tecnologia albicastrense.
Na cerimónia, o presidente do Instituto de Ensino Superior, Joaquim Mourato, recordou as alterações em curso no setor, lembrando que os novos estatutos das instituições serão muito importantes para o seu futuro. Com uma intervenção objetiva, Joaquim Mourato anunciou algumas mudanças que estão para acontecer em breve, como o estatuto da carreira docente, numa altura em que o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior já está em vigor e que esbate os dois subsistemas de ensino superior, abrindo a possibilidade de serem criadas ofertas formativas universitárias e politécnicas, em instituições dos dois subsistemas (universitário e politécnico).
Universidade de excelência
Na sua intervenção, Luís Farinha deixou claro que a instituição ambiciona ser uma universidade politécnica de referência, enraizada na região da Beira Baixa (distrito de Castelo Branco) e quer ser reconhecida pela qualidade académica e científica e pelo valor que cria no território.
“A identidade politécnica orienta o nosso desenvolvimento: formar com exigência, produzir conhecimento e trabalhar com a sociedade para resolver problemas e abrir novas oportunidades. Estamos a trabalhar arduamente nesse processo”, sublinhou.
Mas, para que alcançar esse patamar, Luís Farinha considerou essencial que todos os municípios da Beira Baixa e a UPCB estejam unidos em torno do desenvolvimento territorial, destacando Castelo Branco e Idanha-a-Nova, onde tem infraestruturas e uma presença académica que quer reforçar, em benefício de toda a região.
“Precisamos de um Centro de Ciência e Inovação nas áreas da Sustentabilidade Agroalimentar e Ambiental, mas também em áreas de como a IA [Inteligência Artificial], aeronáutica e outras áreas afins, aproximando investigadores, empresas e centros tecnológicos”, vincou.
A valorização dos recursos da região e a resposta aos desafios da água, da produção alimentar e da adaptação climática podem gerar soluções com valor económico e social, sustentou.
Luís Farinha quer também na UPCB um Centro de Formação Avançada e um Centro de Rendimento Desportivo.
Estas duas estruturas permitem à UPCB qualificar profissionais e dirigentes e responder às necessidades das organizações e abrir novos caminhos no desporto e na educação física, ligando investigação, formação e apoio aos atletas, aos clubes e à comunidade.
“Precisamos de expandir e adequar instalações ao crescimento da formação e da investigação”, advogou.
O reitor realçou ainda que o compromisso do seu programa de ação é impulsionar o futuro, valorizando as pessoas.
“Queremos uma UPCB mais forte, capaz de melhorar a experiência dos estudantes, valorizar quem aqui trabalha e contribuir para uma Beira Baixa mais próspera. Os jovens precisam de emprego qualificado e espaço para concretizar ideias. As empresas e as instituições precisam de pessoas capazes de as ajudar a inovar e a crescer”, afirmou.
A presença da universidade deve sentir-se na capacidade que ajuda a criar em cada comunidade, missão essa que inclui empresários, dirigentes e trabalhadores das empresas, das instituições e da administração pública, acrescentou.
A ligação às escolas secundárias e profissionais e a aproximação dos jovens à UPCB é outro dos aspetos a potenciar.
“Queremos despertar vocações e mostrar que é possível construir aqui um futuro com oportunidades. E precisamos de olhar para todas as gerações”.
Para ser possível cumprir com a sua missão, Luís Farinha realça a necessidade de investir na capacidade da UPCB para servir o território.
O reitor disse ainda que as missões internacionais em que a instituição tem participado e aquelas que quer integrar, devem fazer da UPCB uma ponte entre a Beira Baixa e novas redes de conhecimento, tecnologia e investimento.
Universidade 6.0
Por sua vez, o presidente do Conselho Geral da Universidade Politécnica, João Carrega, lembrou que “a instituição tem, no presente, o seu momento da verdade, com a elaboração de um plano estratégico integrador e inovador, com a concretização de novos estatutos modernos e capazes de criar oportunidades à Universidade, à Região e ao país, com oferta formativa diversificada e inovadora, a diferentes níveis – desde microcredenciais aos doutoramentos, e investigação aplicada”.
Aquele responsável, reafirmou a ideia de que toda a comunidade, deputados, autarcas e autarquias, comunidades intermunicipais, unidades locais de saúde e toda a sociedade têm que estar unidas no reforço da instituição. “A UPCB deve, assim, ter a capacidade de intervir junto do poder central e do poder local, para que possa ter aquilo a que tem direito, para que tenha mais financiamento do Estado, mais alojamento para os estudantes, laboratórios mais apetrechados, novos espaços para o ensino e investigação, auditórios, requalificação de outros, ampliação de algumas escolas, ou a conclusão do campus da Talagueira, etc”.
No seu entender, na Universidade não cabem partidos nem credos. “A Universidade é de todos e conta com todos”, disse. João Carrega considera que a UPCB deve assumir-se como uma “Universidade 6.0. Uma instituição que garanta um modelo de ecossistema hiperconectado, regenerativo e territorialmente integrado, onde as barreiras físicas e institucionais desaparecem para servir o desenvolvimento sustentável da sociedade”.
Para o presidente do Conselho Geral, a Universidade 6.0 deve, “como defende a Unesco, deve ter por princípios a ciência aberta territorializada, os Laboratórios Vivos (Living Labs) e o direito à aprendizagem ao longo da vida como um bem comum codesenhado com as autarquias e a sociedade civil”. E acrescenta: “esta Universidade 6.0 deve assumir-se, assim, como um nó de uma rede viva que liga investigadores, estudantes, autarquias e cidadãos em tempo real. O conhecimento não é apenas transmitido aos alunos; é cocriado com a sociedade civil para resolver problemas reais e imediatos do território”.
“Mas”, prosseguiu João Carrega, “esta será também uma Universidade preocupada com a regeneração Territorial e a Sustentabilidade, passando o seu sucesso a ser medido pelo seu impacto direto na pegada de carbono regional, na inclusão social e na resiliência das comunidades locais face às crises globais. A Aprendizagem ao Longo da Vida Personalizada, e que a UPCB já faz, com as microcredenciais, por exemplo, é outro requisito para a Universidade 6.0, a qual serve cidadãos de todas as idades, em articulação com as autarquias e empresas locais, requalificando constantemente a população para evitar a exclusão tecnológica e a desertificação demográfica. E, finalmente, é uma Universidade que acolhe a Inteligência Artificial Ética e Glocal (Global + Local): A tecnologia é utilizada para compreender e simular o impacto de políticas públicas locais. A universidade atua como o cérebro científico que apoia as decisões das autarquias, cruzando dados globais com necessidades locais”.
O presidente da Câmara de Castelo Branco manifestou total apoio à instituição, referindo disponibilidade total para apoiar os projetos da UPCB. Leopoldo Rodrigo salientou ainda o papel fundamental que a Universidade de Castelo Branco tem no desenvolvimento de toda a região e do país”.
Por sua vez, Leonor Ferreira, presidente da Associação Académica, felicitou a UPCB e sublinhou a sua importância na formação dos estudantes e aquilo que ela representa para as suas vidas.
As comemorações finalizaram com a abertura do Fórum Regional de Ciência e Inovação I9Tec, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, que se prolonga até ao dia 30 com um ciclo de conferências debates com os principais atores da ciência, ensino superior e tecido empresarial do país.
Leonor Ferreira, presidente da Associação Académica
Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara de Castelo Branco
Joaquim Mourato, presidente do Instituto de Ensino Superior