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Para tratar intoxicações por medicamentos Guarda financiado pela FCT

08-09-2022

Uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai utilizar microalgas para inibir a absorção de medicamentos no intestino em casos de intoxicações, o que será realizado no âmbito do projeto MiADrugTox, que acaba de receber a aprovação de um financiamento de 50 mil euros por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

“Vamos utilizar microalgas, que têm evidentes benefícios para a saúde, para tratar as intoxicações medicamentosas”, afirma Paula Coutinho, docente do IPG e coordenadora do projeto. “A ideia é incorporar micropartículas com biomassa de microalgas numa formulação de gel, a ser administrada por via oral, para facilitar o transporte ao longo do sistema gastrointestinal”.

Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em 2020 ocorreram mais de 27 mil intoxicações em Portugal, das quais cerca de 15 mil foram causadas por medicamentos. Ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos, epiléticos, anti-inflamatórios e paracetamol estão entre os medicamentos mais associados às intoxicações medicamentosas.

“Os dados mostram que as intoxicações por medicamentos são um problema grave e um enorme desafio para os cuidados de saúde”, afirma Paula Coutinho. “A nossa solução é inovadora, sustentável, económica e, sobretudo, com menos efeitos adversos quando comparada com as terapias convencionais: lavagem gástrica, carvão ativado ou flumazenil”.

O Politécnico da Guarda vai estabelecer parceria com empresas da indústria farmacêutica para validarem a eficácia do produto em aplicações médicas. O projeto será desenvolvido por uma equipa do Centro de Potencial e Inovação de Recursos Naturais, constituída por investigadores e estudantes dos cursos de Biotecnologia Medicinal, de Farmácia e de Ciências Aplicadas à Saúde, que irão estudar e otimizar o rácio da biomassa de microalgas para obter uma eficiente adsorção do medicamento.

“O Politécnico da Guarda procura envolver os estudantes de licenciatura e de mestrado nos projetos de investigação e de inovação que desenvolve”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. “Estas iniciativas permitem uma maior proximidade ao mercado de trabalho e aos desafios que enfrenta”.

O IPG tem feito uma forte aposta na investigação ligada à biotecnologia através do desenvolvimento de sistemas bioimpressos de que são exemplo dispositivos médicos para a regeneração da pele e do tecido cardíaco. A valorização dos recursos naturais é outra valência que tem sido explorada: uma equipa de investigadores do IPG esteve, nos últimos anos, a estudar os benefícios das macroalgas no processo de cicatrização e no tratamento de patologias da pele.

 
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