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BOCAS DO GALINHEIRO Adeus, Daniel Craig, bem vindo 007

26-10-2021

Eu, pecador me confesso. Fui dos que torci o nariz à escolha de Daniel Craig para dar corpo a James Bond, ou melhor, 007, o agente secreto, com licença para matar. Confesso que na altura apenas me lembrava dele de “O caminho para a Perdição” (2002), de Sam Mendes, ao lado de Paul Newman e Tom Hanks e em “Munique” (2005), de Steven Spielberg, em que encarnava um dos membros do comando israelita encarregado de eliminar os responsáveis do Setembro Negro, que perpetrou o sequestro e assassinato de atletas da comitiva de Israel nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, papéis que não me marcaram especialmente. Aliás, a sua escolha foi desde logo posta em causa pela crítica porquanto não tinha o estilo nem a atitude de um verdadeiro 007! Mas impôs-se, por um lado porque soube dar à volta aos costumeiros tiques da personagem e, por outro, conseguiu estar à altura dos vilões que teve que enfrentar, e que vilões, de Mads Mikkelsen, o “Le Chifre” de “Casino Royal” (2006) a Javier Bardem, Raoul Silva, de “Skyfall” (2012), passando por Christoph Waltz, o Ernst Stavro Blofeld, de “Spectre” (2015), reaparecido em “No Time To Die” (Sem Tempo Para Morrer).
Polémicas à parte, o homem, que foi contratado para cinco filmes da saga, lá foi dando conta do recado e foi passando com distinção os vários desafios que teve que enfrentar, mais desgosto, menos desgosto, mais copo menos copo, porque até os agentes secretos, até certo ponto, são humanos. Chegou agora ao fim, neste “Sem Tempo Para Morrer”.
Em 2006, depois de um interregno de quatro anos, o novo Bond, Daniel Craig, agarra o papel que nos últimos quatro filmes pertencera a Pierce Brosnan. em “Casino Royale”. Uma estreia que é o regresso às origens de James Bond, uma vez que se trata da adaptação da primeira novela de Ian Fleming com o agente secreto britânico, inspirado no agente duplo Dusko Popov, um jugoslavo que Fleming conheceu no Estoril quando estava colocado em Portugal na sua qualidade de oficial da marinha de Sua Majestade e agente do MI-6, ou seja, o nosso 007 “nasceu” em Portugal, e por cá andou em “Ao Serviço de Sua Majestade” (1969), de Peter Hunt, filme que marca a única incursão do australiano George Lazenby na pele do afamado agente. O filme foi parcialmente gravado em Portugal, incluindo no Palácio Estoril Hotel onde Ian Fleming esteve hospedado na sua passagem pelo nosso país durante a II Guerra Mundial. Com uma carreira pouco exuberante quando foi escolhido para o papel, acabou por convencer, merecendo inclusive uma nomeação ao BAFTA de melhor actor, a primeira para uma interpretação de James Bond.
O primeiro filme estreia em 1962. Um ainda pouco conhecido actor escocês, de seu nome Sean Connery, dava corpo a um agente secreto, com licença para matar, em “Dr. No”, por cá “007 – Agente Secreto”, com realização de Terence Young, dando assim início a esta saga que perdura há quase 60 anos! Ao todo fez seis filmes, de 1962 a 1971. Depois de retomar a saga interrompida pela incursão de Lazenby, regressou em 1983 num filme não oficial, “Never Say Never Again”, um remake de “Thunderball”, de 1965. Seguiu-se-lhe Roger Moore, de 1973 a 1985, que recuperou a senda de êxito que os 007 granjearam e que é ainda hoje o recordista de participações na franquia com sete filmes. Veio então o galês Timothy Dalton que faz dois filmes de 1987 a 1989, e sai, antes do terceiro, que não atava nem desatava ao fim de cinco anos.E eis que, após seis anos sem James Bond, o nosso herói regressa em 1994 com o irlandês Pierce Brosnan e mais quatro filmes até 2002.
Depois de sucessivos adiamentos por causa da pandemia, estreou no passado dia 30 de Setembro, “Sem Tempo Para Morrer”. E, ao quinto filme, Daniel Craig vai embora. O até agora James Bond, não vai continuar e fechou a sua participação na saga, depois de cinco filmes, o anterior, “Spectre”, é de 2015.
Agora, o nosso herói está a gozar a merecida reforma na Jamaica, quando o seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, aparece com um pedido de ajuda. A missão de resgatar um cientista raptado, como é usual nesta vida de espião, acaba por ser bastante mais traiçoeira do que o esperado, o que leva Bond a cruzar-se com um misterioso vilão, Rami Malek, armado com uma nova e perigosa tecnologia, inventada, claro, pelo tal cientista, à procura de vingança por alguma coisa que Bond lhe fez, mas quem paga é o Mundo. Elementar! Com um ritmo alucinante, os acontecimentos sucedem-se a grande velocidade e em espaços geográficos diferentes, intercalados aqui e ali por momentos de aparente acalmia, aparente porque resultam de conflitos amorosos e familiares que assolam o nosso homem, quando, apesar da duração do filme, o tempo escasseia. Com constantes reviravoltas, traições, a agente dupla do costume, aqui Ana de Armas, muita acção e a relação com Madelaine (Léa Seydoux) sempre presente, a que se junta a pequena Mathilde, o filme reúne todos os ingredientes para encerrar a participação de Daniel Craig a grande nível.
O que se segue? Pois é. Aí reside a pergunta do milhão de dólares. Quem se apresentará como 007, agora que James Bond desapareceu. Ou não? Nesta última entrega já tivemos uma 007, (Nomi) Lashana Lynch, que ficou com o número de código depois da reforma de James Bond. Na próxima como será?
James Bond morreu! Viva James Bond!

Luís Dinis da Rosa

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

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